Exclusivo: Som Livre lança slap sessions e estreia projeto acústico com Melly no estúdio da editora
A Som Livre apresenta o slap sessions, um projecto acústico intimista que destaca a essência das canções e a autenticidade dos artistas. Com Melly como estreia, o estúdio da editora transforma-se num palco para interpretações únicas e emocionantes.
Redação PORTA B
2 de março de 2026

A nova aposta acústica da Som Livre: slap sessions e o projecto intimista com Melly
Gravado no estúdio da própria Som Livre, o projecto slap sessions surge como uma proposta que valoriza encontros em voz e guitarra, com foco na interpretação e na essência das canções. A ideia é simples: revisitar temas já conhecidos pelo público, enquanto se exploram versões de músicas que marcaram a formação cultural de cada artista. O resultado é uma abordagem crua, que coloca em evidência a força da composição e a identidade singular de quem interpreta.
O slap sessions foi concebido como um espaço de experimentação artística. Diferentemente de produções elaboradas ou arranjos complexos, o projecto privilegia o artista e as suas nuances interpretativas, muitas vezes negligenciadas nas versões originais. Esta abordagem evidencia a autenticidade e a conexão emocional que os músicos têm com as suas obras.
"Para este projecto, procurámos artistas com autenticidade. É uma forma nova e íntima de aceder a canções já conhecidas, e por ser tão cru e verdadeiro, é essencial que os artistas transmitam essa essência", explicou um representante da Som Livre.
A curadoria do slap sessions não se limita a géneros musicais específicos, algo que reflecte o panorama actual do mercado. Num contexto de consumo fragmentado e playlists cada vez mais segmentadas, o projecto aposta na personalidade do intérprete como elemento central. O formato acústico actua como um filtro natural, onde a música se sustenta pela força da interpretação, sem depender de produções grandiosas.
Um espaço para a criatividade e colaboração
Um dos aspectos mais interessantes do slap sessions é a sua abertura para artistas fora do casting oficial da Som Livre. Esta escolha sublinha o posicionamento do Slap como uma plataforma criativa e colaborativa, transcendendo o papel tradicional de um selo discográfico.
"Vemos o Slap como um movimento artístico, algo que ultrapassa os limites do nosso selo. Por isso, criámos um terreno de partilha que inclui artistas independentes e também outros talentos ligados ao grupo Sony, desde que exista sinergia com o projecto", afirmou um dos responsáveis.
Ao expandir o leque de participantes, o projecto ganha diversidade e conecta-se com diferentes cenas musicais, promovendo a troca de ideias e estilos. Isto é particularmente relevante num mercado onde a segmentação é cada vez mais evidente e onde a autenticidade se torna um elemento diferenciador.
Melly e a reinvenção de "Eternamente"
Um dos momentos mais marcantes desta primeira edição do slap sessions é a releitura de "Eternamente", música que ganhou novos contornos na interpretação de Melly. A versão intimista destaca a força vocal da artista, enquanto oferece uma leitura pessoal da obra. Este registo funciona também como um retrato da sua trajectória e da evolução do seu repertório.
O EP de Melly, que percorre diferentes momentos da sua carreira, estabelece uma ligação especial com o público, ao mesmo tempo que reforça a capacidade do slap sessions de criar experiências memoráveis através da simplicidade do formato acústico.
Estratégia de mercado e impacto na indústria musical
O slap sessions promete continuidade ao longo de 2026, com novas gravações previstas para o primeiro semestre. Embora ainda não tenham sido revelados os próximos artistas envolvidos, a estratégia da Som Livre é clara: criar múltiplos pontos de contacto entre a obra e o público.
Alan Lopes, responsável pelo projecto, reforça a lógica por trás deste investimento em audiovisual e conteúdos digitais: "Nos dias que correm, é evidente que uma canção tem mais hipóteses de se destacar quanto maior for o número de pontos de contacto que estabelece com a audiência. Ou seja, quanto mais versões dessa faixa forem disponibilizadas, mais o público poderá compreendê-la e absorvê-la em diferentes contextos. Este projecto torna-se estratégico porque cria novas oportunidades para o público se identificar com grandes obras, sejam elas recentes ou não, conhecidas ou desconhecidas."
Ao transformar o estúdio num palco e as releituras em protagonistas, a Som Livre demonstra que o slap sessions vai além de um simples conteúdo acústico. Trata-se de uma iniciativa integrada numa estratégia maior de posicionamento no mercado, que valoriza a presença constante e a ligação directa com o público.
Reflexões sobre o impacto na indústria musical portuguesa e europeia
Em Portugal e na Europa, onde o mercado musical também enfrenta uma crescente fragmentação e diversificação de gostos, projectos como o slap sessions podem ter um impacto significativo. Este formato intimista e centrado na essência das canções dialoga com uma tendência crescente de procura por autenticidade e conexão emocional na música. Além disso, a aposta em releituras e interpretações únicas pode ajudar a revitalizar clássicos e a apresentar novos talentos ao público europeu, que valoriza cada vez mais a singularidade na expressão artística.
Para os artistas portugueses, uma iniciativa semelhante poderia abrir portas para colaborações internacionais e novas audiências, ao mesmo tempo que reforça a identidade cultural através de versões acústicas que destacam as raízes e influências locais. A democratização do acesso a plataformas criativas como o slap sessions também se alinha com o crescente movimento de artistas independentes, permitindo que talentos emergentes se destaquem num mercado competitivo.
Por outro lado, é crucial reflectir sobre os desafios que esta abordagem apresenta. A simplicidade do formato pode ser limitadora para artistas cujo trabalho se apoia em produções mais complexas ou arranjos elaborados. Além disso, a necessidade de autenticidade e vulnerabilidade pode não ser compatível com todos os intérpretes, exigindo uma selecção cuidadosa por parte dos organizadores.
Ainda assim, o slap sessions abre um precedente interessante para a indústria musical europeia, ao mostrar que é possível criar conteúdos relevantes e inovadores sem recorrer a grandes produções. Para Portugal, esta pode ser uma oportunidade de explorar novos formatos e fortalecer a ligação emocional entre os artistas e o público, contribuindo para um mercado musical mais diversificado e conectado.
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