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Sony ultrapassa 3 mil milhões de dólares em receitas musicais no 1.º trimestre, com aumento de 19,5% face ao ano anterior

A Sony Music atingiu receitas musicais superiores a 3 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, registando um crescimento notável de 19,5% face ao ano anterior e consolidando-se como líder num mercado em rápida evolução.

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Redação PORTA B

15 de maio de 2026

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Sony ultrapassa 3 mil milhões de dólares em receitas musicais no 1.º trimestre, com aumento de 19,5% face ao ano anterior

Sony ultrapassa os 3 mil milhões de dólares em receitas musicais no primeiro trimestre, com crescimento de 19,5% face a 2025

A Sony Music continua a afirmar-se como uma das potências globais da indústria musical, tendo anunciado resultados financeiros impressionantes no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026. O grupo registou receitas combinadas de música gravada e publicação musical na ordem dos 3,03 mil milhões de dólares, o que representa um aumento substancial de 19,5% face ao mesmo período do ano anterior. Este crescimento robusto assinala o segundo trimestre consecutivo em que a empresa ultrapassa a fasquia dos 3 mil milhões, evidenciando a resiliência e capacidade de adaptação da companhia num mercado em constante transformação.

Análise dos principais indicadores do primeiro trimestre

O destaque vai para a subida de 23,2% nas receitas de música gravada, que atingiram 2,35 mil milhões de dólares. O streaming continua a ser o motor principal deste crescimento, com receitas a subir 13,6% para 1,44 mil milhões de dólares, refletindo o papel dominante desta modalidade no consumo musical contemporâneo. Surpreendentemente, as vendas físicas de música registaram uma subida notável de 37,3%, totalizando cerca de 242 milhões de dólares, contrariando a narrativa habitual do declínio contínuo do formato físico.

Outro aspeto relevante é a categoria “Outros” da Sony — que engloba eventos ao vivo, merchandising e licenciamentos — que cresceu 51% para 631,9 milhões de dólares, quase metade do crescimento trimestral total. Este segmento revela a diversificação das fontes de receita da Sony, aproveitando o renascimento dos concertos e do merchandising para compensar as limitações do mercado digital.

Em contrapartida, as receitas provenientes de downloads digitais caíram 20,1%, fixando-se nos 38,9 milhões de dólares, confirmando a progressiva obsolescência deste formato face ao streaming. As receitas de publicação musical também tiveram um desempenho positivo, com um crescimento de 8,4% para 684 milhões de dólares, sustentado pelo aumento das receitas de streaming na publicação (+10,8%).

Os lançamentos que impulsionaram o sucesso

O sucesso comercial da Sony no primeiro trimestre esteve fortemente ligado a lançamentos de artistas de grande renome internacional. O álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS de Bad Bunny liderou as vendas, seguido por Kiss All The Time. Disco, Occasionally. de Harry Styles. Outros destaques incluem GOLDEN HOUR : PART.4 dos ATEEZ, o álbum Un Verano Sin Ti também de Bad Bunny e o terceiro mini-álbum do grupo sul-coreano BLACKPINK. Esta diversidade geográfica e estilística de artistas sublinha a estratégia da Sony de explorar vários mercados e géneros para maximizar receitas.

Perspetivas para o ano fiscal completo

No conjunto do ano fiscal de 2026 (abril de 2025 a março de 2026), as receitas combinadas da Sony Music alcançaram 11,71 mil milhões de dólares, um crescimento anual de 13,4%. A música gravada atingiu 8,93 mil milhões, enquanto a publicação musical somou 2,79 mil milhões, ambos com aumentos significativos. O resultado operacional da divisão musical cresceu 25%, fixando-se em cerca de 2,97 mil milhões de dólares, impulsionado pela continuidade do crescimento do streaming, pela recuperação dos eventos ao vivo e pelos ganhos provenientes dos negócios de media visual e videojogos.

Impacto e análise crítica para a indústria musical

Estes resultados evidenciam várias tendências profundas no panorama da indústria musical global. Em primeiro lugar, o streaming mantém-se como o eixo central das receitas, consolidando o seu papel incontornável no consumo de música. No entanto, o crescimento robusto das vendas físicas desafia a ideia de que este formato estaria a caminho da extinção, sugerindo que há ainda nichos de mercado e segmentos de consumidores que valorizam o tangível, especialmente em géneros musicais e mercados específicos.

O aumento significativo das receitas provenientes de eventos ao vivo e merchandising revela a importância crescente de experiências e produtos relacionados com os artistas, um fator que a indústria deverá continuar a explorar para além das receitas digitais. Esta diversificação é vital para a sustentabilidade financeira das editoras e artistas num contexto em que as margens do streaming são frequentemente criticadas por serem muito reduzidas.

Por outro lado, a queda nos downloads digitais reforça a necessidade das editoras adaptarem os seus modelos de negócio a formatos que correspondam às novas preferências do público, abandonando progressivamente canais que perdem relevância.

A presença dominante de artistas globais como Bad Bunny, Harry Styles e BLACKPINK nos tops de vendas também destaca a importância de investir em talentos com apelo internacional e estratégias de lançamento globais, aproveitando-se das plataformas digitais para alcançar audiências em múltiplos mercados simultaneamente.

No panorama português e europeu, estes dados reforçam a necessidade de as editoras locais e agentes culturais pensarem estratégias que integrem o streaming, mas que também valorizem o mercado físico e os eventos ao vivo, numa lógica integrada de valorização do produto musical e da experiência do consumidor.

Finalmente, estes resultados da Sony mostram como as grandes multinacionais da música continuam a dominar o mercado, colocando desafios significativos para os independentes, mas também abrindo oportunidades para a inovação e cooperação em novos formatos e canais de distribuição.

Em suma, a Sony Music demonstra que, apesar das transformações rápidas e imprevisíveis da indústria, é possível crescer de forma consistente através da inovação, diversificação e aposta em talentos globais, servindo de barómetro para as tendências futuras do mercado musical mundial.

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