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Com 761 milhões de utilizadores, Spotify cresce no 1.º trimestre e aposta em novos formatos

Com mais de 760 milhões de utilizadores ativos mensalmente no primeiro trimestre de 2024, o Spotify confirma o seu crescimento robusto e aposta em novos formatos para consolidar a sua liderança global no streaming musical.

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Redação PORTA B

29 de abril de 2026

5 min de leitura|121 leituras
Com 761 milhões de utilizadores, Spotify cresce no 1.º trimestre e aposta em novos formatos

Spotify ultrapassa os 760 milhões de utilizadores e aposta em novos formatos para crescer

No primeiro trimestre de 2024, o Spotify anunciou um crescimento significativo, ultrapassando os 760 milhões de utilizadores ativos mensalmente (MAU). Alex Norström, responsável pela área comercial da plataforma, destacou que “superámos os 760 milhões de utilizadores ativos mensalmente, alcançámos o crescimento de assinantes que planeámos e registámos um envolvimento saudável tanto entre os utilizadores existentes como entre os novos e os que regressam”. Estes números reforçam o posicionamento do Spotify como líder incontestável no serviço de streaming musical a nível global.

América Latina mantém-se como mercado estratégico

A região da América Latina continua a ser uma das mais estratégicas para o negócio do Spotify. De acordo com os dados divulgados, 22% dos utilizadores ativos mensais encontram-se nesta região, enquanto 24% dos assinantes Premium são latino-americanos. Este dado é particularmente relevante porque demonstra que a América Latina não é apenas uma grande base de utilizadores gratuitos, mas também contribui de forma significativa para a receita proveniente das assinaturas pagas, o principal motor financeiro da plataforma.

Este fenómeno reforça a necessidade de estratégias regionais específicas, que deixaram de ser meros complementos para se integrarem de forma estruturada no planeamento global do Spotify. Para artistas, editoras e distribuidoras, esta informação é crucial para perceberem onde investir recursos e esforços, adaptando campanhas e lançamentos a mercados que já apresentam uma dinâmica económica sólida dentro da plataforma.

Experiência gratuita aprimorada e foco nas assinaturas

O trimestre revelou ainda uma tentativa clara do Spotify em melhorar a experiência dos utilizadores gratuitos, sem perder de vista o crescimento das subscrições pagas. A empresa lançou uma experiência gratuita mais personalizada a nível global, que, em mercados estratégicos como os Estados Unidos, tem levado os utilizadores a passar mais dias por mês a ouvir e a consumir conteúdos em vídeo.

Esta estratégia pode ser interpretada como uma forma de fidelizar utilizadores gratuitos, criando maior envolvimento e, potencialmente, convertendo-os em assinantes Premium. Ao mesmo tempo, a plataforma mantém o foco na monetização direta através das assinaturas, que continuam a ser a principal fonte de receitas.

Margens e resultados financeiros: um equilíbrio delicado

Outro dado que merece destaque é a margem bruta de 33%, a segunda maior registada na história da empresa. A receita total atingiu os 4,5 mil milhões de euros, com um crescimento de 14% em moeda constante, enquanto o lucro operacional chegou aos 715 milhões de euros. Este desempenho financeiro assume particular importância num setor, o do streaming musical, que tradicionalmente opera sob forte pressão de custos, nomeadamente devido aos pagamentos a titulares de direitos.

O aumento da margem bruta indica que o Spotify consegue crescer de forma sustentável, sem depender exclusivamente do aumento do número de utilizadores. No entanto, esta evolução não é isenta de desafios, pois a plataforma tem de continuar a equilibrar o pagamento justo à indústria musical com a necessidade de inovar e diversificar as suas fontes de receita.

Novos formatos: podcasts em vídeo e audiolivros

O Spotify está a apostar em novos formatos, como podcasts em vídeo e audiolivros, para aumentar o envolvimento dos utilizadores e abrir novas vias de receita. Esta expansão de conteúdos representa uma evolução da plataforma para além da simples música, tornando-se num ecossistema multimédia que combina áudio, vídeo e leitura num único espaço.

Este desenvolvimento pode ter impactos profundos na indústria musical. Por um lado, os recursos contextuais adicionais podem enriquecer a experiência dos fãs, permitindo-lhes conhecer melhor os artistas, compositores e produtores por detrás das obras. Por outro lado, a música passa a competir por atenção num ambiente cada vez mais diversificado, onde o áudio musical convive com outros formatos que captam o interesse dos utilizadores.

Visão de futuro e papel na remuneração da indústria

Gustav Söderström, executivo do Spotify, apresentou esta expansão como parte integrante da visão de longo prazo da empresa. “Vemos um espaço significativo para crescer em utilizadores, formatos e envolvimento, e para expandir o que o Spotify é e pode tornar-se ao longo do tempo”, afirmou.

O Spotify voltou ainda a destacar o papel que desempenha na distribuição de receitas à indústria musical, revelando que em 2025 já terá pago mais de 11 mil milhões de dólares a artistas, editoras e titulares de direitos, totalizando quase 70 mil milhões desde a sua fundação. Este dado reforça a narrativa de que o streaming é atualmente o principal eixo económico da música gravada.

Reflexão crítica para a indústria portuguesa e europeia

Para a indústria musical portuguesa e europeia, estes desenvolvimentos trazem tanto oportunidades como desafios. A crescente importância de mercados emergentes e o aumento da personalização da experiência gratuita podem criar novas vias para artistas nacionais alcançarem públicos internacionais. No entanto, a diversificação dos formatos e a competição interna dentro da plataforma exigem uma adaptação constante das estratégias de promoção e monetização.

A margem financeira crescente do Spotify indica uma maior eficiência, mas também levanta questões sobre a transparência e a equidade na distribuição dos rendimentos. A indústria europeia, com as suas diversas realidades culturais e económicas, deve estar atenta para garantir que os artistas, especialmente os menos mediáticos, beneficiem desta expansão financeira.

Além disso, a integração de podcasts e audiolivros pode abrir portas a colaborações inovadoras, mas também pode dispersar a atenção do público da música, tornando essencial que os agentes culturais europeus promovam a valorização do património musical local dentro destes novos formatos.

Conclusão

O crescimento do Spotify no primeiro trimestre de 2024 confirma a sua posição dominante no streaming musical global, com um modelo de negócio cada vez mais diversificado e financeiramente robusto. Para a indústria portuguesa e europeia, esta evolução implica uma adaptação estratégica que aproveite as oportunidades de crescimento, ao mesmo tempo que se exige uma maior atenção à justa remuneração e ao papel cultural da música numa plataforma em constante transformação.

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