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Suno alcança 2 milhões de subscritores pagos e atinge 300 milhões de dólares em receita anual

A Suno celebra um marco histórico ao atingir 2 milhões de assinantes pagos e superar os 300 milhões de dólares em receita anual, consolidando-se como uma referência global no setor.

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Redação PORTA B

28 de fevereiro de 2026

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Suno alcança 2 milhões de subscritores pagos e atinge 300 milhões de dólares em receita anual

Suno atinge 2 milhões de assinantes pagos e ultrapassa os 300 milhões de dólares de receita anual

Ao anunciar um dos marcos mais significativos no crescimento da Suno, Mikey Shulman, CEO da plataforma, declarou:

“Mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo usaram a Suno, desde amantes da música a vencedores de prémios Grammy. Alcançámos um novo marco: 2 milhões de assinantes pagos, 300 milhões de dólares em receita anual recorrente.”

Estes números impressionantes revelam que cerca de 2% de todos os utilizadores que alguma vez experimentaram a plataforma acabaram por optar por uma assinatura paga. Ainda que esta percentagem possa parecer modesta à primeira vista, no contexto de um modelo freemium, onde a maioria dos utilizadores utiliza o serviço gratuitamente, a taxa de conversão é significativa. Além disso, a proporção de assinantes entre os utilizadores activos será certamente mais elevada, considerando que os 100 milhões de utilizadores mencionados incluem também aqueles que apenas experimentaram a plataforma uma vez e não regressaram.

Um crescimento exponencial que desafia expectativas

Não são apenas os números absolutos que impressionam, mas também a velocidade com que a Suno tem registado o seu crescimento. Há três meses, foi noticiado que a plataforma tinha alcançado 1 milhão de assinantes pagos e uma receita anual na ordem dos 200 milhões de dólares. Desde então, a base de utilizadores pagantes duplicou e a receita subiu em 100 milhões de dólares, um ritmo de crescimento que sublinha o impacto que este serviço está a ter no mercado global da música digital.

Este crescimento meteórico coloca a Suno numa posição de destaque dentro de um setor altamente competitivo, onde empresas como Spotify, Apple Music e outros gigantes disputam a atenção — e as carteiras — dos consumidores. No entanto, a grande diferença da Suno reside na sua abordagem inovadora, que combina música e tecnologia de inteligência artificial (IA).

O papel da IA nos bastidores da música

Mikey Shulman tem vindo a adoptar um discurso cada vez mais direto acerca da influência da Suno na indústria musical. Em declarações recentes, o CEO comparou o uso da plataforma a um fenómeno silencioso da cultura pop: algo amplamente utilizado, mas raramente admitido publicamente pelos seus utilizadores.

Shulman chegou mesmo a fazer uma analogia com o medicamento Ozempic na indústria farmacêutica, sugerindo que a criação assistida por IA se está a tornar uma prática comum nos bastidores da música, ainda que persistam desconfortos em admiti-lo abertamente. Segundo ele, compositores, produtores e artistas já integram a Suno nos seus processos criativos, utilizando a ferramenta para testar ideias, criar maquetes rápidas ou explorar novas direcções sonoras.

Ainda que esta transformação esteja a acontecer de forma mais subtil, é inegável que a IA está a moldar o futuro da produção musical. A resistência pública que por vezes se verifica à utilização de ferramentas deste género parece contrastar com o seu uso cada vez mais frequente e integrado nas dinâmicas da indústria.

Parcerias estratégicas e desafios éticos

A Suno tem também estabelecido parcerias estratégicas para consolidar a sua posição no mercado. A colaboração com a Warner, que se estenderá até ao final de 2025, é um exemplo disso mesmo. O objetivo deste acordo é desenvolver modelos de IA licenciados, permitindo aos artistas manter o controlo sobre o uso do seu nome, voz e imagem em conteúdos gerados por inteligência artificial.

No entanto, o crescimento da Suno não tem sido isento de controvérsia. Empresas como a Sony e a Universal continuam a interpor ações legais, alegando preocupações relacionadas com direitos de autor e o impacto que a utilização de IA pode ter nos criadores humanos. Em resposta a estas críticas, a Suno defendeu que o seu sistema de aprendizagem automatizada se assemelha ao processo humano de criação artística, comparando-o à forma como uma criança aprende a compor novas músicas de rock ao ouvir repetidamente canções do género.

O impacto na indústria musical portuguesa e europeia

No contexto europeu, e particularmente no mercado musical português, o crescimento de plataformas como a Suno levanta questões importantes. A indústria musical na Europa, historicamente marcada por fortes tradições culturais e uma ênfase na autenticidade artística, pode ver-se desafiada por esta nova vaga de criação assistida por IA.

Em Portugal, onde o fado, a música popular e a música independente desempenham um papel significativo na identidade cultural, a introdução de ferramentas como a Suno pode ser vista tanto como uma oportunidade quanto como uma ameaça. Por um lado, os artistas emergentes podem beneficiar de uma ferramenta acessível que lhes permite explorar novas ideias de forma rápida e económica. Por outro lado, há o receio de que a utilização recorrente de IA possa diluir a autenticidade e a originalidade que têm sido valores fundamentais da música portuguesa.

A nível europeu, a adoção de IA no processo criativo desafia também o enquadramento legal e ético em torno dos direitos de autor, algo que a União Europeia tem vindo a discutir de forma cada vez mais intensa. A ascensão da Suno demonstra que a procura por este tipo de soluções é real e crescente, mas também sublinha a necessidade de estabelecer limites claros para proteger os criadores humanos.

O futuro da música com IA

Com 2 milhões de assinantes pagos e uma receita anual de 300 milhões de dólares, a Suno deixou de ser apenas um ponto de discussão ético para se afirmar como um actor financeiro de peso na indústria musical global. A grande questão agora não é se existe ou não procura por ferramentas de criação assistida por IA, mas sim como a indústria — tanto a nível global como europeu — irá adaptar-se a esta nova realidade.

A convivência entre o humano e o artificial parece inevitável. A verdadeira questão será como equilibrar inovação tecnológica, direitos dos criadores e a preservação do que torna a música uma forma de arte única. A resposta a esta questão poderá definir não só o futuro da Suno, mas também o futuro da música enquanto expressão cultural.

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.

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