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A Indústria Musical dos EUA Gerou 11,54 Mil Milhões de Dólares em Receitas em 2025

A indústria musical dos EUA atingiu receitas recorde de 11,54 mil milhões de dólares em 2025, impulsionada pelo streaming e pelo renascimento do vinil. Contudo, sinais de saturação começam a surgir num setor em constante evolução.

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Redação PORTA B

22 de março de 2026

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A Indústria Musical dos EUA Gerou 11,54 Mil Milhões de Dólares em Receitas em 2025

A Indústria Musical nos EUA em 2025: Um Olhar Crítico sobre os $11,54 mil milhões de receitas

A indústria musical nos Estados Unidos encerrou o ano de 2025 com receitas impressionantes de 11,54 mil milhões de dólares, de acordo com o mais recente relatório da RIAA (Recording Industry Association of America). Este valor, que representa o total de receitas grossistas, reflete o estado de um setor em contínua transformação, onde o streaming e o vinil desempenharam papéis preponderantes.

Streaming: o motor da indústria, mas com sinais de saturação

O streaming continua a ser o principal motor de receitas no mercado discográfico norte-americano. A adesão aos serviços de subscrição paga foi o fator que mais contribuiu para o crescimento, com um aumento de 6,5% face ao ano anterior, totalizando 106,5 milhões de subscritores. O segmento de receitas provenientes de serviços premium on-demand subiu 6,8%, alcançando 5,88 mil milhões de dólares, o que representou mais de metade das receitas totais da música gravada.

Por outro lado, o streaming suportado por publicidade registou uma ligeira quebra de 0,6%, situando-se nos 1,79 mil milhões de dólares. Esta redução, embora não alarmante, pode apontar para sinais de saturação neste modelo de negócio, face à crescente predominância dos serviços pagos. Outros segmentos de streaming, como subscrições não premium (-4,5%) e pagamentos SoundExchange e outros (-3,8%), também mostraram declínios, indicando possíveis desafios na diversificação de receitas dentro do universo digital.

Downloads digitais: uma queda inevitável

Os downloads digitais continuam a perder terreno, com uma redução de 0,8% nas receitas anuais, que se cifraram em 272,6 milhões de dólares. Este declínio confirma a tendência de substituição dos downloads por serviços de streaming como principal meio de consumo de música digital. Curiosamente, o segmento de “outras receitas digitais”, que inclui serviços como jukeboxes digitais e entretenimento a bordo de voos, registou um crescimento de 33,5%, atenuando ligeiramente as perdas globais no mercado digital.

O renascimento do vinil e a nostalgia do físico

Enquanto o digital domina o mercado, as vendas de formatos físicos continuam a registar uma resiliência notável, muito graças ao renascer do vinil. Em 2025, as receitas provenientes de vinil cresceram 9,3% para 1,04 mil milhões de dólares, acompanhadas por um aumento de 7,9% no número de unidades vendidas. Este crescimento consolida o vinil como um fenómeno cultural e um objeto de desejo para colecionadores e amantes da música.

Já os CDs, outrora o formato físico dominante, continuam a apresentar uma tendência de queda, com uma redução de 11,6% no número de unidades vendidas e uma diminuição de 7,8% nas receitas, que totalizaram 312,4 milhões de dólares. Ainda assim, outros formatos físicos, como cassetes e CD singles, surpreenderam ao registar um crescimento de 16,5% nas receitas, embora continuem a representar uma pequena parcela do mercado, com um total de 25,8 milhões de dólares.

Receitas de sincronização em ligeira queda

As receitas de sincronização, provenientes do licenciamento de música para filmes, séries, anúncios e outros conteúdos audiovisuais, caíram ligeiramente 1,3% em 2025, atingindo os 407,1 milhões de dólares. Apesar de ser uma área de menor peso no total das receitas, este segmento continua a ser uma fonte significativa de rendimento para a indústria.

Reflexão crítica: o que significam estes números para a indústria?

Os números de 2025 confirmam tendências já conhecidas, mas também levantam questões importantes sobre o futuro da indústria musical nos Estados Unidos. Por um lado, o crescimento contínuo das subscrições de streaming pago demonstra que os consumidores estão dispostos a pagar por experiências personalizadas e sem publicidade. No entanto, a desaceleração em outros segmentos de streaming, como o suportado por publicidade, sugere a necessidade de diversificar ainda mais as fontes de receita.

O renascimento do vinil, por outro lado, destaca o apelo emocional e cultural dos formatos físicos, que continuam a atrair um nicho de consumidores. Contudo, a sua relevância no contexto global da indústria é limitada, e a curva descendente dos CDs sublinha a inevitabilidade do domínio digital.

Outro aspeto digno de nota é o ligeiro declínio nas receitas de sincronização, que pode ser um reflexo de mudanças no mercado audiovisual ou, possivelmente, de desafios relacionados com o licenciamento e a concorrência de novas tecnologias, como a inteligência artificial na criação musical.

Por fim, as palavras do presidente da RIAA, Mitch Glazier, sublinham a importância da música não apenas como entretenimento, mas também como um motor económico significativo, gerador de empregos e riqueza. A menção às parcerias com a inteligência artificial levanta uma questão pertinente: como é que a indústria vai equilibrar a inovação tecnológica com a proteção dos direitos dos artistas e da propriedade intelectual?

Conclusão: um futuro de desafios e oportunidades

À medida que a indústria musical continua a evoluir, as tensões entre inovação e tradição, digitalização e nostalgia, bem como crescimento e sustentabilidade, tornam-se cada vez mais evidentes. Os números de 2025 são um retrato de uma indústria vibrante, mas que enfrenta desafios significativos para garantir um futuro próspero e equilibrado. Cabe aos seus protagonistas encontrar formas criativas e éticas de navegar por este cenário em constante mutação.

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