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Toda a Gente no Rio com Shakira: Pedro Secchin destaca os bastidores da transmissão de um dos maiores projetos multiplataforma da Globo

"Pedro Secchin revela os bastidores de um dos maiores espectáculos multiplataforma da Globo, destacando os desafios únicos de transmitir música ao vivo numa praia e o impacto destas produções na indústria global."

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Redação PORTA B

2 de maio de 2026

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Toda a Gente no Rio com Shakira: Pedro Secchin destaca os bastidores da transmissão de um dos maiores projetos multiplataforma da Globo

Bastidores da Produção de Espectáculos ao Vivo: Uma Análise Crítica da Transmissão de Grandes Eventos Musicais

A produção de espectáculos ao vivo envolve uma complexidade técnica e artística que muitas vezes passa despercebida pelo público em geral. Recentemente, Pedro Secchin, director de um dos maiores projectos multiplataforma no Brasil, partilhou os desafios e particularidades de organizar uma transmissão ao vivo numa praia, num espaço aberto. Apesar de o seu testemunho se centrar num contexto específico, as suas observações oferecem uma excelente oportunidade para reflectirmos sobre o impacto destas práticas na indústria musical, tanto em Portugal como no resto da Europa.

A Complexidade Técnica e Logística de Eventos ao Vivo

Secchin sublinhou as especificidades de planear e executar transmissões que variam consoante o tipo de evento. De festivais como Rock in Rio ou Lollapalooza a espectáculos mais intimistas, cada produção exige uma abordagem técnica e logística personalizada. "Não há uma fórmula universal", explica o director, apontando que as equipas e os equipamentos são adaptados a cada contexto.

Para o evento em questão, foi necessária uma vasta estrutura técnica, incluindo um camião de vídeo dedicado à edição do espectáculo, múltiplas câmaras estrategicamente posicionadas e um camião de áudio para gerir os sinais captados no palco. Estas operações colaborativas requerem um planeamento meticuloso e a estreita coordenação entre todas as equipas envolvidas, incluindo as das grandes plataformas de transmissão e as dos próprios artistas.

O Papel da Colaboração com os Artistas

Um dos aspectos mais intrigantes destacados por Secchin é o trabalho conjunto com a equipa do artista principal. No caso específico que analisou, o objectivo era criar uma experiência única e inesquecível para a audiência. Este tipo de colaboração é fundamental para garantir que a visão artística do músico seja respeitada e transmitida adequadamente ao público, quer este esteja presente fisicamente no local do evento ou a assistir de casa.

Esta prática de colaboração não é nova no circuito de espectáculos europeus, onde os grandes festivais e concertos ao vivo têm seguido uma abordagem semelhante. Em Portugal, por exemplo, eventos como o NOS Alive, o Super Bock Super Rock ou o Primavera Sound têm demonstrado uma crescente preocupação com a criação de experiências imersivas para o público tanto presente no recinto como para quem acompanha a transmissão em directo.

A Experiência do Público: Entre a Arte e a Tecnologia

Para Secchin, a transmissão vai muito além de simplesmente captar um espectáculo ao vivo. "A transmissão é uma coisa muito maior do que as pessoas às vezes pensam", afirma. O compromisso é tanto artístico como técnico, e a atenção ao detalhe é crucial: desde a escolha da fotografia à disposição das câmaras e do áudio. Este nível de dedicação visa oferecer uma experiência que seja o mais próxima possível da sensação de assistir ao espectáculo ao vivo, mesmo para quem está a ver a partir de casa.

Na Europa, e em Portugal, em particular, este compromisso com a experiência do público tem vindo a ganhar relevância nos últimos anos. Com o aumento do consumo de espectáculos em plataformas de streaming, a qualidade das transmissões tornou-se um factor diferenciador. Produtores e realizadores têm vindo a investir em tecnologias avançadas, como câmaras de alta resolução e sistemas de captação de som que garantam uma experiência auditiva de excelência.

O Impacto na Indústria Musical Portuguesa e Europeia

A crescente sofisticação tecnológica e artística das transmissões ao vivo tem implicações significativas para a indústria musical em Portugal e na Europa. Por um lado, estas inovações permitem alcançar um público mais vasto, superando barreiras geográficas e económicas. Por outro, colocam uma pressão adicional sobre os organizadores de eventos para que estes ofereçam não só espectáculos de qualidade, mas também transmissões que estejam à altura dessas expectativas.

Em Portugal, onde a cultura musical é rica e diversificada, estas práticas podem servir como um catalisador para expandir a presença de artistas nacionais no mercado global. Eventos como o Festival da Canção ou concertos de artistas portugueses como Mariza, Dino D’Santiago ou Salvador Sobral podem beneficiar de uma abordagem técnica e artística mais sofisticada, alcançando audiências internacionais e elevando a reputação da música portuguesa além-fronteiras.

No entanto, é crucial questionar se a ênfase na tecnologia e na "entrega artística" não corre o risco de sobrepor-se à essência do espectáculo ao vivo. Será que, ao tentar criar uma experiência perfeita para as transmissões, estamos a diluir a autenticidade do momento? Esta é uma questão que merece reflexão, especialmente num contexto cultural como o português, onde a proximidade e a genuinidade são valores muitas vezes associados à música ao vivo.

Considerações Finais

Os bastidores de eventos ao vivo, como os descritos por Pedro Secchin, oferecem um vislumbre fascinante das exigências técnicas e artísticas que tornam possível a magia de um grande espectáculo. Contudo, no contexto português e europeu, é essencial equilibrar a utilização de tecnologia de ponta com a preservação da integridade artística e emocional que define a experiência musical ao vivo.

À medida que a indústria musical continua a evoluir, é fundamental que os profissionais do sector, desde produtores a artistas, reflitam sobre como podem utilizar estas inovações para enriquecer a experiência do público sem comprometer aquilo que torna a música ao vivo verdadeiramente especial. Afinal, enquanto a tecnologia pode amplificar a arte, são a emoção e a presença humana que a tornam inesquecível.

PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.