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UBC convida Mulheres do Mercado Musical a participarem em estudo sobre desafios no setor

A UBC lança um apelo às mulheres do mercado musical para participarem num estudo que visa expor os desafios e desigualdades de género no setor, destacando a urgência de medidas transformadoras. Apesar de progressos tímidos, os números mostram que a igualdade ainda está longe de ser alcançada.

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Redação PORTA B

25 de fevereiro de 2026

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UBC convida Mulheres do Mercado Musical a participarem em estudo sobre desafios no setor

Mulheres na Indústria Musical: Desafios e Persistência na Luta pela Igualdade de Género

Em 2025, a análise das diferenças de ganhos entre homens e mulheres na indústria musical veio expor, de forma inequívoca, a necessidade urgente de medidas mais robustas e estruturais para enfrentar a desigualdade de género. Apesar de um aumento no número de mulheres filiadas a organizações de gestão coletiva de direitos, estas continuam a representar apenas 10% do total dos rendimentos gerados pelos associados. Este dado sublinha uma dura realidade: a desigualdade permanece profundamente enraizada no setor.

Entre os 100 maiores arrecadadores, apenas 12 são mulheres, um pequeno aumento em relação aos 10 registados em 2018. Embora este crescimento possa ser interpretado como um ligeiro avanço na visibilidade feminina no mainstream, não é suficiente para disfarçar a segregação estrutural que as mulheres continuam a enfrentar na indústria musical como um todo. Este cenário exige uma reflexão crítica sobre o papel das instituições, dos artistas e dos diferentes agentes do setor na construção de um mercado mais inclusivo e equitativo.

Análise por Categorias: A Resistência das Barreiras de Género

Quando analisamos a presença feminina em diferentes categorias de profissões da criação musical, a disparidade entre géneros torna-se ainda mais evidente. Em funções tradicionalmente dominadas por homens, como músicos acompanhantes, as mulheres representam apenas 5% do total. Esta é uma das categorias mais exclusivas e reflete uma visão ainda profundamente enraizada de que certos papéis na música são “reservados” ao género masculino.

Por outro lado, há categorias onde as mulheres têm conseguido reduzir o fosso, ainda que de forma limitada. As versionistas constituem 20% do total desta categoria, enquanto as intérpretes representam 16%. Estes números, embora ligeiramente mais encorajadores, continuam a demonstrar que há um longo caminho por percorrer. A perpetuação de estereótipos de género no setor musical não só limita o acesso das mulheres a determinadas funções, como também restringe as suas oportunidades de crescimento e visibilidade.

O Impacto na Indústria Musical Portuguesa e Europeia

Se olharmos para a realidade portuguesa e europeia, os desafios não diferem drasticamente. Em Portugal, a música continua a ser um espaço onde as mulheres enfrentam obstáculos significativos, tanto no acesso às oportunidades como no reconhecimento do seu trabalho. O mercado musical nacional, embora rico em talento feminino, é frequentemente dominado por homens, quer em posições de destaque, quer nos bastidores.

A nível europeu, iniciativas como o Keychange, que promove a igualdade de género na música, têm sido fundamentais para impulsionar mudanças. No entanto, os progressos são lentos e, muitas vezes, mais simbólicos do que estruturais. Em Portugal, o panorama é semelhante: ainda que haja mais mulheres a emergir como artistas e compositoras, as posições de poder e influência, como produtores, gestores e diretores artísticos, continuam desproporcionalmente ocupadas por homens.

Esta desigualdade não é apenas uma questão de justiça, mas também de qualidade e diversidade criativa. A ausência de uma representação equitativa resulta numa perda para o próprio setor, que deixa de beneficiar de uma multiplicidade de perspetivas e vozes. Além disso, a desigualdade de género também perpetua uma dinâmica económica injusta, onde as mulheres são frequentemente subvalorizadas e subremuneradas.

O Que Falta Fazer?

Para combater a desigualdade de género na indústria musical, é essencial que todos os agentes do setor assumam um compromisso genuíno com a mudança. Isto inclui desde políticas públicas que incentivem a igualdade de oportunidades até ações concretas por parte das próprias organizações e empresas musicais. A criação de quotas para a participação feminina em festivais, a promoção de formações específicas para mulheres em áreas técnicas e de produção, e a visibilidade das suas contribuições para a música são apenas algumas das possíveis medidas.

A educação também desempenha um papel crucial. É necessário desmantelar as ideias pré-concebidas que associam determinados papéis ou géneros musicais a um único género. Este esforço começa nas escolas, mas deve estender-se a todos os níveis da sociedade, incluindo os media, que têm a responsabilidade de dar palco a artistas de diferentes géneros e backgrounds.

Conclusão

A desigualdade de género na indústria musical é um problema que persiste tanto em Portugal como no resto da Europa. Apesar de alguns avanços tímidos, como o ligeiro aumento de mulheres entre os maiores arrecadadores ou a redução marginal do fosso em determinadas categorias, é evidente que ainda há muito por fazer. A mudança exige um esforço concertado e sustentado, não apenas por parte das mulheres, mas de todos os intervenientes do setor.

Na PORTA B, acreditamos que a música é uma expressão universal e que só será verdadeiramente rica e representativa quando todas as vozes tiverem espaço para se fazer ouvir. É imperativo que a indústria musical, enquanto reflexo da sociedade, tome medidas concretas para garantir que o palco seja, de facto, para todos e todas.

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.