Warner Music vai vender a divisão de merchandising EMP
A Warner Music prepara-se para alienar a EMP, a sua divisão de merchandising focada em rock e metal, numa reviravolta estratégica que levanta dúvidas sobre o futuro do merchandising na indústria musical. Será este um sinal de mudança ou um sintoma de maiores dificuldades?
Redação PORTA B
14 de fevereiro de 2026

Warner Music Abandona Merchandising: Sinal de Mudança Estratégica ou Sintoma de Crise?
A Warner Music Group (WMG), um dos maiores colossos da indústria discográfica, anunciou planos para vender a EMP, a sua divisão de merchandising especializada em rock e metal, até ao primeiro trimestre de 2026. A notícia, que surge como parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação liderada pelo CEO Robert Kyncl, levanta questões pertinentes sobre o futuro da indústria musical e o papel dos grandes grupos neste ecossistema em constante mutação.
A aquisição da EMP em 2018 foi vista, na altura, como uma aposta inteligente na diversificação de receitas, permitindo à WMG capitalizar a fervorosa base de fãs do rock e metal, oferecendo-lhes produtos oficiais e exclusivos. No entanto, o cenário mudou drasticamente nos últimos anos. O streaming domina o consumo de música, e as receitas provenientes de vendas físicas e, aparentemente, também de merchandising, tornaram-se menos cruciais para o balanço final das editoras discográficas.
A decisão da WMG de se desfazer da EMP pode ser interpretada de várias maneiras. Por um lado, pode ser encarada como uma medida pragmática para otimizar recursos e concentrar esforços nas áreas de negócio com maior potencial de crescimento, nomeadamente o streaming e outras formas de exploração de conteúdo audiovisual. A empresa tem vindo a expandir-se para áreas como a produção de conteúdo para o YouTube e o financiamento de programas televisivos, demonstrando uma clara intenção de diversificar as suas fontes de receita para além da música propriamente dita.
Por outro lado, a venda da EMP pode ser vista como um sinal de que a indústria musical está a enfrentar desafios significativos. A dependência excessiva do streaming torna as editoras discográficas vulneráveis às flutuações do mercado e à crescente influência das plataformas digitais. Num contexto em que gigantes como o Spotify e o Apple Music detêm um poder considerável na definição das tendências e na distribuição de receitas, as editoras discográficas sentem a pressão para encontrar novas formas de rentabilizar o seu catálogo e de se manterem relevantes.
A Inteligência Artificial e o Futuro da Criação Musical
A venda da EMP surge num momento particularmente interessante da história da indústria musical. O surgimento da inteligência artificial (IA) como ferramenta de criação musical está a revolucionar a forma como a música é produzida, distribuída e consumida. Empresas como a ElevenLabs, que detém a Eleven Music, uma plataforma de criação de música com IA, estão a ganhar cada vez mais terreno, oferecendo aos artistas e produtores novas possibilidades criativas e novos modelos de negócio.
Esta tendência levanta questões éticas e legais importantes. Quem detém os direitos de autor de uma música criada com IA? Como garantir que os artistas humanos sejam devidamente compensados pelo seu trabalho num mercado em que a IA pode gerar música de forma rápida e barata? Estas são questões complexas que a indústria musical terá de enfrentar nos próximos anos.
A Ressurreição de Selos Discográficos e a Aposta em Eventos ao Vivo
Enquanto a WMG se prepara para vender a EMP, outras editoras discográficas estão a apostar em novas estratégias para se manterem competitivas. A RCA, por exemplo, reviveu o seu selo, nomeando Mike Weiss e David Melhado para o liderarem. Este movimento sugere uma vontade de regressar às raízes da indústria musical, apostando no desenvolvimento de novos talentos e na criação de uma identidade própria.
Além disso, muitas editoras discográficas estão a investir em eventos ao vivo como forma de complementar as receitas do streaming e de fortalecer a ligação com os fãs. A criação de um selo discográfico e de uma empresa de eventos ao vivo, como é o caso de outros exemplos no mercado internacional, demonstra uma aposta na diversificação de fontes de receita e na criação de experiências únicas para o público.
Wasserman e Epstein: Um Escândalo que Mancha a Imagem da Indústria
Numa nota mais sombria, a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA revelou a troca de emails entre Casey Wasserman, um influente agente de talentos, e Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual e associada a Jeffrey Epstein. Este escândalo mancha a imagem da indústria musical e levanta questões sobre a ética e a responsabilidade dos seus líderes. É crucial que a indústria musical tome medidas para combater o assédio e a exploração, e para garantir que um ambiente seguro e inclusivo para todos os seus membros.
A venda da EMP, o surgimento da IA, a ressurreição de selos discográficos e o escândalo Wasserman-Epstein são apenas alguns dos exemplos das mudanças profundas que a indústria musical está a atravessar. Num mercado em constante evolução, as editoras discográficas terão de ser ágeis, inovadoras e responsáveis para se manterem relevantes e para garantirem um futuro sustentável para a música. A porta B, como sempre, estará atenta a estas mudanças, trazendo-lhe a análise mais pertinente e a informação mais rigorosa.
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