MÚSICA

João Afonso edita novo álbum “Todo Tempo”

Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.

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Redação PORTA B

27 de março de 2026

4 min de leitura|3 leituras
João Afonso edita novo álbum “Todo Tempo”

João Afonso Apresenta "Todo Tempo": Uma Profunda Viagem pela Memória e a Alma Lusófona

O aclamado músico e compositor João Afonso lança hoje, sexta-feira, 27 de março, o seu mais recente trabalho discográfico, "Todo Tempo". Este novo álbum, que sucede a "Sangue Bom" e "Livros", propõe uma imersão em temas universais como a liberdade, o amor, a saudade e a inquietude, revelando-se como a obra mais sensível e madura do artista até à data. Uma experiência sonora e poética singular aguarda os ouvintes, que terão a oportunidade de descobrir este universo musical particular.

A Essência de uma Voz Consolidada

"Todo Tempo" é o culminar de uma colaboração criativa entre João Afonso e António Pinto, este último responsável pela produção e pelos arranjos que moldam a identidade sonora do álbum. O disco integra um conjunto de canções originais, com letras assinadas pelo próprio Afonso, e outras que buscam inspiração em textos de poetas consagrados da língua portuguesa, como António Gedeão, Jorge de Sena, José Craveirinha e Al Berto, tecendo uma ponte entre a música e a literatura.

A voz de João Afonso neste trabalho é um espelho das raízes mais profundas da música portuguesa, harmoniosamente entrelaçada com a memória afetiva das suas origens moçambicanas. Canções como "Matope", "Manga Verde" ou "Sonhei-te" evocam um regresso a estas terras, enquanto baladas como "Pernoitas em Mim" ou "Independência" captam, com uma elegância notável, a essência da Portugalidade. O álbum abre ainda espaço para uma perspetiva mais pessoal e crítica sobre o mundo contemporâneo, patente em temas como "Folhas de Outono" ou "Chuta pra Canto".

Uma Constelação de Talentos e Sonoridades

O primeiro vislumbre deste novo registo foi o single "Tempo de Poesia", uma peça que capta de forma exemplar a alma de "Todo Tempo". Nascida de um poema de António Gedeão, esta canção revela uma perfeita simbiose entre a profundidade poética e a musicalidade intrínseca de João Afonso e António Pinto. A interpretação vocal é enriquecida pela admirável voz de Sofia David, contando ainda com a participação especial de Tomás Pimentel no Flugel e nos arranjos.

"Todo Tempo" reúne um elenco notável de músicos da cena portuguesa, que contribuíram com as suas abordagens pessoais para a riqueza de timbres e cores do álbum. Entre eles, destacam-se Joaquim Teles na percussão, o já mencionado Tomás Pimentel, José Moz Carrapa e Miguel Fevereiro nas guitarras, e Paulo Ferreira no baixo. As participações especiais são igualmente marcantes, com o CouraVoce (Coro Feminino de Paredes de Coura), a voz cúmplice de Toninho Afonso, a flauta de Rão Kyao e a guitarra portuguesa de Marta Pereira da Costa, que adicionam camadas de expressividade e autenticidade.

O segundo single a ser desvendado, "Matope", é uma das faixas que melhor espelha a ideia constante de saudade que acompanha o autor. A letra, ou poema, é um turbilhão de imagens, sonoridades, odores e cores, uma reflexão sobre o "silêncio dos anos" em que João Afonso guardava uma amarga ausência de Moçambique, a terra das suas origens. Este tema conta com as participações de Tomás Pimentel, Tomás Marques e Ruben Luz nos sopros, António Pinto e Miguel Fevereiro nas guitarras, e a alma rítmica da percussão e bateria de Joaquim (Quiné) Teles, assinalando um regresso singular de João Afonso ao seu Moçambique afetivo.

Perspetiva

"Todo Tempo" afirma-se como um trabalho inventivo e diversificado, onde a beleza da palavra se encontra com uma sofisticada tapeçaria sonora. Este álbum marca uma nova e significativa etapa na carreira de João Afonso, consolidando a sua posição como uma voz essencial no panorama musical português e lusófono. É uma celebração da música feita com alma, reflexão e arte, que promete enriquecer o património cultural nacional com a sua profundidade e originalidade. O público terá a oportunidade de conhecer o trabalho ao vivo no showcase de apresentação, agendado para o dia 31 de março, pelas 18h30, no espaço atmosfera m, da Montepio Associação Mutualista, na Rua Castilho n.º 5, em Lisboa.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 27 de março de 2026

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