João Mesquita apresenta “Olheiras” ao vivo em Lisboa e no Porto
João Mesquita leva o seu
Redação PORTA B
3 de março de 2026

João Mesquita Leva a Intimidade Crua de “Olheiras” Aos Palcos de Lisboa e Porto
João Mesquita prepara-se para o ponto culminante do seu percurso artístico com o álbum de estreia, “Olheiras”, elevando-o do universo íntimo da gravação para a energia vibrante do palco. Os tão aguardados concertos de apresentação estão agendados para os dias 13 de março, em Lisboa, na B.O.T.A., e 14 de março, no Porto, no RCA Club.
A Essência Emocional de "Olheiras"
“Olheiras” transcende a mera coleção de canções, afirmando-se como um retrato emocional despido de artifícios. Este trabalho discográfico revela uma sonoridade que brota da urgência de sentir, onde as letras não buscam organizar a complexidade das emoções, mas sim capturar a sua intensidade mais crua. Mesmo quando se revelam contraditórias, autocentradas ou desconfortáveis, é precisamente nessa vulnerabilidade que o álbum encontra a sua força e ressonância.
A criação de “Olheiras” representou uma jornada de autodescoberta profunda para João Mesquita. Este foi o primeiro projeto integralmente produzido pelo artista, um processo que o levou a aprofundar os seus conhecimentos em produção, gravação e orquestração. O resultado é uma obra ambiciosa, que contou com a colaboração de mais de vinte músicos e a coprodução de João Borsch, beneficiando ainda do apoio fundamental da Sociedade Portuguesa de Autores.
A Escolha Simbólica de Duas Cidades
A decisão de apresentar “Olheiras” em Lisboa e no Porto não é meramente estratégica, mas sim uma "inevitabilidade" profundamente enraizada na biografia de João Mesquita. Lisboa, a sua cidade natal, foi o berço do seu crescimento pessoal e do desenvolvimento do seu percurso musical. Subir ao palco na capital significa celebrar esta etapa crucial com o público que o acompanha desde os primeiros acordes.
Por outro lado, o Porto ocupa um lugar especial na vida pessoal e afetiva do artista. A cidade tornou-se um refúgio, um lugar que João Mesquita sente como "casa" e ao qual regressa sempre com uma profunda sensação de pertença. A dimensão cultural e a significativa concentração de ouvintes em ambas as cidades apenas reforçam o simbolismo e a importância destas datas para o artista e para a sua obra.
Em palco, João Mesquita será acompanhado por uma banda cuidadosamente selecionada para traduzir ao vivo a densidade e a energia que caracterizam “Olheiras”. A formação principal contará com João Mesquita na guitarra e voz, João Borsch na bateria e voz, Samuel Pacheco nos teclados e voz, Eduardo Santiago no baixo e Simão Bárcia na guitarra. Para a data de Lisboa, o espetáculo ganhará uma dimensão expandida com a participação de Rodrigo Pereira no trompete, Álvaro Pinto no saxofone alto e Guilherme Fradinho no saxofone tenor, prometendo adicionar novas cores e camadas à já rica tapeçaria sonora do disco.
Perspetiva
A chegada de “Olheiras” aos palcos nacionais assinala um momento relevante para a música independente portuguesa. O percurso de João Mesquita, que se aventurou na produção integral do seu álbum de estreia, é um testemunho da crescente autonomia e capacidade criativa dos artistas contemporâneos. A sua aposta numa sonoridade autêntica e vulnerável, aliada à dimensão complexa e rica da sua produção, oferece ao público uma experiência musical que desafia convenções e aprofunda a conexão emocional. Este tipo de iniciativa fortalece o panorama cultural do país, demonstrando que a expressividade individual pode encontrar eco e ressonância em plateias atentas, contribuindo para a diversidade e vitalidade da cena musical portuguesa.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 3 de março de 2026
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