MÚSICA

“Keep up the Pace” é o trabalho de estreia de Time and the Moth

Time and the Moth lança o EP de estreia “Keep Up the Pace”, com quatro canções que exploram o tempo, a transformação pessoal e a busca do verdadeiro propósito.

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Redação PORTA B

16 de abril de 2026

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“Keep up the Pace” é o trabalho de estreia de Time and the Moth

“Keep up the Pace”: o EP de estreia de Time and the Moth desafia o tempo e a existência

No dia em que se celebra mundialmente a arte, 14 de abril de 2026, surge um novo marco na música independente portuguesa com o lançamento do EP de estreia do projeto Time and the Moth, intitulado Keep up the Pace. Com quatro faixas que totalizam pouco mais de dezanove minutos, este trabalho oferece uma viagem sonora profunda sobre a passagem do tempo, a transformação pessoal e a busca incessante de um sentido verdadeiro para a vida.

A urgência do tempo e a procura de sentido

O tempo, esse recurso escasso e paradoxal, é o eixo central deste projeto. Concebido por Paulo Rui (voz e letra) e Aaron D.C. Edge (instrumentação e produção), Keep up the Pace explora o tempo enquanto elemento que foge, cura e, por vezes, mata, destacando a sua importância muitas vezes subestimada no nosso quotidiano acelerado.

As quatro canções do EP refletem o desejo intenso e, por vezes, destrutivo, de experienciar a beleza da vida em toda a sua plenitude, mesmo sabendo que o tempo disponível é limitado. Esta urgência está transposta numa sonoridade que convida o ouvinte a olhar para dentro, a confrontar o seu próprio reflexo e a questionar onde realmente reside a verdade num mundo dominado pela distração digital.

Um farol na turbulência da vida moderna

Num universo saturado de estímulos e vozes que nos direcionam para fora, Time and the Moth propõe uma alternativa: procurar um farol interior de criatividade, esperança e autenticidade, sustentado na verdade e na ciência. A metáfora da traça atraída pela luz é utilizada para ilustrar a forma como, frequentemente, somos guiados pelas influências erradas — os media, amigos, colegas e ídolos — em vez de pelo que realmente nos pode iluminar de forma positiva e genuína.

Este EP surge como um convite a encontrar essa luz interior e, uma vez descoberta, partilhá-la para ajudar outros a seguir em frente, numa travessia que, apesar da sua complexidade, pode ser mais acolhedora e humana.

Processo criativo entre Portugal e Londres

A execução de Keep up the Pace é fruto de uma colaboração transnacional, que envolve dois estúdios e vários profissionais. Toda a instrumentação foi composta, interpretada, gravada, misturada e masterizada por Aaron D.C. Edge no Myelin Studio, em Londres. Já a voz e as letras foram da responsabilidade de Paulo Rui, que gravou as suas partes no Caos Armado Studio, em Santa Maria da Feira, Portugal, com o apoio técnico de Dani Valente.

Este processo reflete um equilíbrio entre a componente artística e técnica, garantindo um resultado final coeso e envolvente, que aposta na qualidade sonora como veículo para uma mensagem profunda.

“Plugged…”: o single que antecipou o EP

Antes da publicação do EP, Time and the Moth lançou o single “Plugged…”, que deu o mote para o que se seguiria. Esta faixa exemplifica o conceito do projeto e a capacidade da dupla de criar música que é simultaneamente urgente e contemplativa, trazendo à tona a tensão entre o ritmo frenético da vida moderna e a necessidade de desacelerar para encontrar sentido.

Uma estreia promissora no panorama musical português

Keep up the Pace posiciona Time and the Moth como um projeto a seguir com atenção dentro da música portuguesa contemporânea. Com uma abordagem que mistura introspeção, crítica social e uma sonoridade cuidada, este trabalho de estreia é uma proposta que apela ao pensamento e ao sentimento, convidando o público a uma reflexão profunda sobre o tempo que temos e como o usamos.

A estreia ocorre numa data simbólica, o Dia Mundial da Arte, reforçando a ideia de que a criação artística pode ser um instrumento poderoso para iluminar questões essenciais da condição humana.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 16 de abril de 2026

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