Lagum Incendiou o Hard Club
Lagum incendiou o Hard Club com uma atuação catártica, apresentando o novo álbum e sucessos antigos, numa sala cheia de fãs vindos de todo Portugal.
Redação PORTA B
19 de abril de 2026

Lagum Incendiou o Hard Club: Uma Noite de Energia e Emoção no Porto
O Hard Club, no coração do Porto, foi palco de uma noite memorável no passado domingo, 18 de abril de 2026. A banda brasileira Lagum trouxe à histórica sala um espetáculo poderoso e inesquecível, que marcou a estreia do grupo em solo português com o seu mais recente trabalho, "As Cores, As Curvas e as Dores do Mundo". O quinto álbum de estúdio da banda, lançado este ano, serve de mote para a sua digressão internacional, que tem vindo a conquistar públicos ao redor do mundo.
Uma enchente de fãs e uma espera recheada de expectativa
Desde as primeiras horas da manhã, já era possível ver fãs a formarem fila junto ao Hard Club. Muitos deles viajaram durante várias horas, atravessando o país para garantir um lugar privilegiado junto ao palco. “Saímos de Braga às oito da manhã para estarmos na fila cedo e ficarmos na primeira fila. Vale tudo para ver o Pedro Calais de perto!”, contou Mariana Teixeira, uma fã de 22 anos, entre risos e entusiasmo.
A casa estava lotada, e a energia no ar era palpável mesmo antes do início do concerto. O público, composto por seguidores de diferentes idades, mostrou desde cedo que estava ali para celebrar a música e a mensagem de uma das mais queridas bandas da cena pop rock e reggae da atualidade.
Uma performance que fez o Porto vibrar
Quando Francisco Jardim, Jorge Borges, Otávio Cardoso e Pedro Calais subiram ao palco, foram recebidos por uma ovação ensurdecedora. Os primeiros acordes da noite deixaram claro que esta não seria uma atuação qualquer. A banda mineira, conhecida pela sua autenticidade e entrega em palco, fez questão de corresponder à devoção dos fãs com uma performance enérgica, catártica e, acima de tudo, inesquecível.
Pedro Calais, vocalista e frontman do grupo, destacou-se pela sua presença magnética e pela forma como estabeleceu uma ligação direta com o público. A cada música, era impossível resistir à sua energia imparável, que contagiava a plateia e a fazia saltar e cantar num uníssono poderoso. “É um sonho estar aqui com vocês. Obrigado por nos receberem assim, Portugal!”, disse o cantor, visivelmente emocionado.
O alinhamento do concerto foi cuidadosamente pensado, com um equilíbrio perfeito entre os novos temas do álbum "As Cores, As Curvas e as Dores do Mundo" e os grandes êxitos que marcaram a carreira da banda, como “Bem Melhor” e “Deixa”. A mistura de temas mais introspectivos e provocadores com hinos vibrantes e dançantes foi o que tornou esta noite tão especial. A própria essência do álbum, que explora a complexidade da experiência humana e questiona o mundo moderno, ressoou fortemente na performance.
Reflexões e provocações em forma de música
Além da energia contagiante, Lagum conseguiu trazer ao palco uma reflexão profunda sobre a sociedade contemporânea. Através das letras das suas canções, a banda fez provocações sobre temas como o individualismo, a superficialidade e a busca por autenticidade. “As nossas músicas são um convite para sentir, pensar e agir. Queremos que saiam daqui diferentes do que entraram”, disse Pedro Calais durante uma breve pausa entre canções.
O momento alto da noite chegou com a interpretação da faixa-título do novo álbum, “As Cores, As Curvas e as Dores do Mundo”. A poderosa balada foi acompanhada por milhares de vozes em coro, criando um momento de arrepiar e selando definitivamente o vínculo entre a banda e o público português.
Uma noite para a história
O concerto de Lagum no Hard Club foi mais do que apenas música; foi uma celebração de emoções, de partilha e de conexão entre artistas e fãs. A banda mostrou porque é uma das mais respeitadas no cenário musical contemporâneo, e o público português, por sua vez, mostrou estar à altura dessa entrega.
A digressão prossegue por outras cidades europeias, mas a passagem pelo Porto ficará, sem dúvida, marcada na memória dos presentes e, certamente, no coração da própria banda. Quem esteve lá, sabe que testemunhou algo único. E quem não esteve, terá de aguardar ansiosamente por um regresso que, depois de uma receção tão calorosa, parece já ser inevitável.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 19 de abril de 2026
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