MÚSICA

Manuel Fúria edita esta sexta-feira o antecipado álbum “Verde Veneno”

Manuel Fúria lança esta sexta-feira "Verde Veneno", álbum de 14 temas pela Flor Caveira, explorando infiltrações e contrastes entre nascimento e decadência.

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Redação PORTA B

27 de março de 2026

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Manuel Fúria edita esta sexta-feira o antecipado álbum “Verde Veneno”

Manuel Fúria edita esta sexta-feira o aguardado álbum “Verde Veneno”

Manuel Fúria, um dos nomes mais inquietos e criativos da música portuguesa contemporânea, lança esta sexta-feira, 27 de março, o seu novo álbum, intitulado “Verde Veneno”. Este trabalho, que já vinha sendo anunciado como um dos discos mais aguardados do ano, chega ao público sob a chancela da Flor Caveira, assinalando o seu 100.º lançamento no catálogo da editora.

Composto por 14 faixas, “Verde Veneno” propõe uma reflexão profunda e poética sobre a natureza humana, os desafios do quotidiano e as complexidades do mundo contemporâneo. Não se trata apenas de um disco de canções; é uma obra conceptual que explora, de forma simbólica e subtil, como as ideias, os hábitos e as imagens têm o poder de se infiltrar lentamente nas nossas vidas, moldando-nos e, por vezes, consumindo-nos por completo.

A simbologia do verde e do veneno

O título do álbum, por si só, é uma pista para a densa narrativa subjacente às composições de Manuel Fúria. O “verde” é apresentado como um elemento ambivalente, simultaneamente símbolo de nascimento e regeneração, mas também de decadência e intoxicação. Já o “veneno” sugere uma força antiga, invisível e omnipresente, que permeia as estruturas sociais, a tecnologia, a linguagem e até a forma como habitamos os nossos próprios corpos.

A sonoridade do álbum, que combina elementos de rock alternativo com nuances de música popular portuguesa, traduz esta dualidade de forma magistral. O ouvinte é conduzido por um percurso sonoro que alterna entre momentos de intensidade quase caótica e passagens de uma calma melancólica, como quem caminha por uma cidade decadente em busca de algo que não sabe definir.

Os três singles já revelados — “O Último Que Apague a Luz”, “Eu Devia Estar Calado” e a faixa homónima “Verde Veneno” — deixaram antever um disco carregado de simbolismo, onde a poesia das letras se cruza com uma produção musical robusta e envolvente. Cada tema é um episódio de uma narrativa maior, que interpela o ouvinte a questionar o impacto do progresso e da comunicação nas suas vidas.

Um espetáculo que promete fazer pensar e dançar

Com o lançamento de “Verde Veneno”, Manuel Fúria prepara-se agora para levar esta visão artística aos palcos. O músico já anunciou duas datas em maio para a estreia deste novo repertório ao vivo. A primeira apresentação está marcada para o dia 14 de maio, no Coliseu Club, em Lisboa, enquanto a segunda terá lugar no Porto, no M.Ou.Co., a 23 do mesmo mês.

Nestes concertos, Manuel Fúria contará com a colaboração de João Eleutério, que se desdobra entre diversos instrumentos, e Sebastião Macedo, responsável pelos teclados, guitarra elétrica e harmonizações vocais. Acompanhado por este trio de excelência, Manuel promete um espetáculo que vai muito além da música: uma experiência imersiva onde máquinas, ritmos, melodias e palavras se unem para criar um ambiente que tanto desafia a mente como convida à festa.

Uma obra de resistência e introspeção

Para além do virtuosismo musical, “Verde Veneno” é, acima de tudo, uma obra de resistência. Entre orações aprendidas na infância e cenários apocalípticos, o disco aborda temas universais mas com uma clara lente portuguesa, refletindo sobre as contradições culturais e sociais que moldam a identidade coletiva do país. É uma chamada de atenção para a forma como nos deixamos enredar nas armadilhas do quotidiano, mas também um convite à introspeção e à busca de gestos simples, quase secretos, de resistência.

O lançamento do álbum pela editora Flor Caveira, um dos grandes bastiões da música independente em Portugal, reforça o compromisso de Manuel Fúria com a autenticidade artística e com a necessidade de criar narrativas alternativas às tendências homogeneizantes da indústria musical.

Para os amantes da música portuguesa e para quem procura um disco que tanto provoque como encante, “Verde Veneno” é, sem dúvida, uma proposta indispensável. É o tipo de obra que não só se ouve, mas que se vive e se sente.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 27 de março de 2026

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