MÚSICA

Manuel Fúria edita novo single “Verde Veneno” faixa-título do novo álbum

Manuel Fúria lança "Verde Veneno", single do novo álbum homónimo a sair a 27 de março, explorando o hedonismo e reflexões através da música de dança.

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Redação PORTA B

6 de março de 2026

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Manuel Fúria edita novo single “Verde Veneno” faixa-título do novo álbum

Manuel Fúria apresenta “Verde Veneno”, single que antecipa novo álbum

Manuel Fúria regressa com um novo single que é também a faixa-título do próximo álbum, previsto para 27 de março sob o selo da Flor Caveira. Depois do avanço “Eu Devia Estar Calado”, “Verde Veneno” surge como um apontamento artístico que confirma a evolução sonora e conceptual do músico, mantendo, contudo, a sua assinatura distinta na música portuguesa contemporânea.

Uma viagem pelo house revivalista com um olhar crítico

“Verde Veneno” destaca-se pelo seu mergulho num revivalismo house que tem vindo a ganhar terreno nas pistas de dança internacionais, recuperando sonoridades que nomes como Peggy Gou ou PNAU têm popularizado. Contudo, a interpretação de Manuel Fúria não se limita a uma mera celebração da dança e do hedonismo. A presença da voz da cantora Inês Baptista acrescenta uma dimensão dramática e envolvente, que ajuda a conferir ao tema uma intensidade única.

Ao contrário do uso habitual do house como espaço de evasão, “Verde Veneno” posiciona a pista de dança como um território de confronto, onde a música serve para diagnosticar as contradições e fragilidades do mundo atual. Este novo single revela uma ambivalência que é, simultaneamente, convite à festa e reflexão sobre os perigos do excesso e da esperança ilusória.

Entre a febre e a fé: a tensão criativa do novo álbum

Este lançamento sucede a “Os Perdedores” (2022), disco que estabeleceu a reputação de Manuel Fúria como um artista capaz de explorar o lado mais sombrio do hedonismo sem cair na glorificação fácil. Em “Verde Veneno”, essa abordagem é aprofundada, com uma mensagem que equilibra a celebração e a denúncia, entre a luz efémera da pista de dança e o abismo que se esconde por detrás do prazer.

Carlos Maria Bobone, que acompanha o trabalho do artista, define esta nova canção como “uma esperança que mata”, um conceito que traduz a perceção da esperança não como um bálsamo, mas como uma doença que só se cura quando é perdida. Esta dualidade entre febre e fé, entre a euforia da música de dança e a consciência do seu lado venenoso, marca a essência do álbum que se avizinha.

Flor Caveira reforça o compromisso com a música portuguesa contemporânea

A editora Flor Caveira, conhecida pelo seu catálogo que privilegia a inovação e a autenticidade, assume-se como a parceira ideal para a edição deste novo trabalho de Manuel Fúria. A aposta nesta obra reforça a importância da cena musical portuguesa que aposta em géneros e abordagens fora do mainstream, promovendo uma cultura musical rica e diversificada.

O lançamento do álbum a 27 de março será um dos momentos mais aguardados do primeiro trimestre do ano, prometendo consolidar Manuel Fúria como uma das vozes mais originais e provocadoras da música nacional.

Perspetivas para o futuro

Com a edição de “Verde Veneno”, Manuel Fúria mostra-se empenhado em continuar a sua exploração artística, misturando géneros, vozes e ideias numa banda sonora que reflete as complexidades do mundo contemporâneo. O single é um convite para que o público não apenas dance, mas também pense e sinta as contradições que se escondem entre as batidas pulsantes.

Este novo capítulo da carreira do artista promete, assim, abrir novas janelas para a música portuguesa, desafiando os ouvintes a confrontarem-se com a beleza e a ambiguidade do hedonismo atual.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 6 de março de 2026

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