MÚSICA

Manuel Fúria em discurso directo sobre “Verde Veneno”

Manuel Fúria lançou o álbum "Verde Veneno" com 14 faixas e apresenta-o ao vivo a 14 de maio em Lisboa e a 23 de maio no Porto.

R

Redação PORTA B

10 de maio de 2026

4 min de leitura|175 leituras
Manuel Fúria em discurso directo sobre “Verde Veneno”

Manuel Fúria: "Verde Veneno" é uma provocação à apatia

No dia 27 de março, Manuel Fúria voltou a surpreender o panorama musical nacional com o lançamento do seu mais recente trabalho, Verde Veneno. Este álbum, que assinala o número 100 do catálogo da Flor Caveira, afirma-se como uma proposta arrojada e multifacetada, composta por 14 temas que oscilam entre a introspeção lírica e a ousadia sonora. Entre os destaques encontram-se os já divulgados singles “O Último Que Apague a Luz”, “Eu Devia Estar Calado” e a faixa-título “Verde Veneno”. Em discurso direto, Manuel Fúria falou sobre o conceito do disco, o seu processo criativo e as expectativas para os concertos de apresentação.

Um disco que é mais do que música

Descrito pelo próprio como "um reflexo de contradições humanas e da paisagem contemporânea", Verde Veneno não se limita a ser apenas um conjunto de canções. Segundo Manuel Fúria, o álbum é uma tentativa de capturar a complexidade do mundo atual, onde a esperança pode coexistir com o desencanto e onde a beleza está frequentemente envolta em espinhos.

“A palavra ‘veneno’ tem uma conotação negativa, mas também é algo que desperta os sentidos, que provoca uma reação. O verde é a cor da natureza, da renovação. Juntei estas duas ideias para criar algo que, além de ser bonito, nos obrigue a pensar sobre o que nos contagia, para o bem e para o mal”, explicou o artista.

Com uma fusão de géneros que vai do rock alternativo ao indie, passando por elementos de música tradicional portuguesa, Verde Veneno é, para o músico, “um grito contra a apatia”.

“Hoje em dia, é muito fácil sermos apanhados por essa inércia emocional que nos rodeia. Este álbum é uma homenagem às emoções, mesmo as mais difíceis. Porque sentir é estar vivo, e estar vivo significa reagir. É isso que quero provocar nas pessoas: uma reação”, afirmou.

O processo criativo e a parceria com a Flor Caveira

Manuel Fúria não escondeu o orgulho que sente por ter lançado este álbum com o selo da Flor Caveira, uma editora independente com a qual mantém uma ligação de longa data. A escolha deste título para marcar o número 100 no catálogo da editora é, segundo o músico, “uma honra e um privilégio”.

“Trabalhar com a Flor Caveira é um exercício de liberdade. Aqui, tenho espaço para experimentar, para arriscar, para ser autêntico. Acredito que cada uma das 14 faixas deste disco reflete isso mesmo: um compromisso de autenticidade, sem fórmulas pré-definidas ou pressões externas”, revelou.

O processo criativo, que decorreu ao longo de dois anos, foi descrito como desafiador mas também profundamente recompensador. “Houve momentos de euforia, outros de dúvida. Mas é assim que se fazem as coisas que, no final, valem a pena”, sublinhou.

Concertos de apresentação em Lisboa e no Porto

Os fãs de Manuel Fúria terão a oportunidade de experienciar Verde Veneno ao vivo nos concertos de apresentação agendados para os próximos dias 14 e 23 de maio, respetivamente em Lisboa, no Coliseu Club, e no Porto, no M.Ou.Co. Sobre estas datas, o músico demonstrou grande entusiasmo.

“A música ganha outra vida quando é partilhada com o público. Estou ansioso por ver como as pessoas vão reagir, quais são as canções que vão mexer mais com elas. Há algo de mágico em transformar um álbum no estúdio em algo vivo no palco, algo que se partilha e se sente em conjunto”, destacou.

Questionado sobre o que o público pode esperar destes concertos, Manuel Fúria foi direto: “Podem esperar intensidade. Quero que cada pessoa que esteja presente sinta que faz parte de algo maior, que saia da sala transformada, nem que seja por uns instantes.”

Um convite à introspeção e à ação

Verde Veneno é, nas palavras de Manuel Fúria, “um disco para ouvir com tempo”. Numa era marcada pela rapidez e pela instantaneidade, o artista convida-nos a desacelerar e a mergulhar nas suas canções, que são uma mistura de retratos pessoais, críticas sociais e reflexões poéticas. Para quem o ouve, é impossível ficar indiferente.

“Se este disco conseguir despertar uma única pessoa do seu estado de apatia, já terá cumprido o seu propósito”, concluiu.

Manuel Fúria está de volta, e a sua mensagem é clara: é tempo de sentir, reagir e, sobretudo, viver. Verde Veneno está aí para isso mesmo.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 10 de maio de 2026

PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.

Manuel Fúria em discurso directo sobre “Verde Veneno” | PORTA B