MAQUINA. regressam com “BODY TRANSMISSION”
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
15 de abril de 2026

MAQUINA. Eletrizam a Pista com 'BODY TRANSMISSION', Um Manifesto Sonoro para Tempos Incertos
O trio lisboeta MAQUINA. anuncia o lançamento do seu segundo álbum, "BODY TRANSMISSION", agendado para 10 de julho, prometendo uma experiência sonora visceral que funde punk industrial, body music e uma energia incessante. Este novo trabalho, que explora tanto a euforia das pistas de dança como a crítica social, é antecipado pelo double single "agony // pressure/pleasure", disponibilizado ontem, dia 14 de abril, consolidando a banda como uma força incontornável no panorama musical. Com uma reputação construída em concertos explosivos, o grupo prepara-se para levar esta nova descarga de som a palcos por toda a Europa.
Da Improvisação ao Impacto Direto: A Evolução de MAQUINA.
MAQUINA. conquistou uma base de fãs fervorosa através da intensidade dos seus concertos, transformando cada atuação num momento verdadeiramente coletivo, onde o suor, o caos e a euforia se fundem. É comum ver punks a dançar e club kids a entrar no mosh pit, numa celebração que, como a própria banda descreve, "faz com que as bolhas se liguem um pouco". Com mais de 250 atuações e passagens por festivais um pouco por toda a Europa, a sua energia em palco é contagiosa, enchendo salas e desencadeando ondas de crowdsurfing.
Recentemente, o trio regressou da sua primeira digressão pelo Brasil e de uma sessão na conceituada KEXP no Trans Musicales 2025, evidenciando a sua crescente projeção internacional. Este percurso intenso antecede "BODY TRANSMISSION", que sucede a "PRATA" (2024). Enquanto o trabalho anterior, também editado pela Fuzz Club, era fortemente marcado pela improvisação e pela espontaneidade da performance ao vivo, o novo LP representa uma mudança estratégica na abordagem criativa da banda.
Anatomia de um Grito: Por Dentro de 'BODY TRANSMISSION'
"BODY TRANSMISSION" é uma viagem musical de cortar a respiração, co-produzida pela banda em conjunto com Hugo Valverde, que mergulha em géneros como body music, noise, metal, motorik e punk industrial. Para este disco, Halison Peres (bateria/voz), José “Mendy” Rego (baixo) e João Cavalheiro (guitarra/efeitos) optaram por menos improvisação e mais "edição", dedicando-se a refletir sobre a direção de cada faixa. O objetivo foi condensar deambulações de dez minutos em "bombas" de três a quatro minutos, concebidas para ter um impacto direto e implacável.
A banda descreve este processo como "o mais desafiante e mais divertido que já tivemos em estúdio, porque nos obrigamos a escrever canções em vez de apenas captar jams". O resultado é uma descarga total pensada para a pista de dança, "sem pausas", um disco pronto para o clubbing, guiado pela poderosa combinação de guitarra, bateria e baixo. O grupo ambicionava que o álbum soasse pesado, concentrado e dançável, mantendo o ritmo acelerado e a energia sempre em alta – "é um álbum sempre a abrir".
O disco não perde tempo a arrancar. "dança", a faixa de abertura, estabelece o ritmo com um 4/4 pulsante, vozes cruas de Silvia Konstance e sintetizadores de Viktor L. Crux, ambos do duo Dame Area (Barcelona), e uma linha de guitarra incisiva que atravessa um riff de baixo de três notas com precisão abrasiva. Esta energia contagiosa flui sem hesitação para "4-to-the-floor", três minutos de riffs pesados e batidas penetrantes que assumem abertamente as influências da música de dança.
Faixas como "pressure/pleasure" e "out of fear" evoluem sob um ambiente estroboscópico similar, apoiadas numa base de guitarra densa e agressiva que se prolonga na instrumental "simulation". A qualidade hipnótica mantém-se em "collapsing", onde os gritos e rugidos metálicos de Peres – em diálogo com os seus vocais limpos – revelam uma herança expressiva que serve de princípio estético orientador para todo o álbum.
Noutro registo, "agony" destaca-se pela sua frontalidade, simultaneamente raivosa e visceral. Este tema politicamente carregado reflete o atual momento de intenso conflito global. Peres explica que a faixa "fala sobre o discurso falso que os políticos tentam sempre impor, apontando para algum inimigo ou algo assim, para esconder o que realmente querem fazer", retratando uma "terra de ninguém" onde a humanidade se vê encurralada entre a miséria e o caos. Para o vocalista, "é difícil ficar em silêncio em momentos como este. Por isso, se tenho um canal que posso usar para fazer algo de bom, então vou usá-lo".
O double single "agony // pressure/pleasure" foi disponibilizado ontem, dia 14 de abril, via Fuzz Club, editora londrina que também acolheu "PRATA" e uma reedição em vinil de "DIRTY TRACKS FOR CLUBBING". O novo álbum "BODY TRANSMISSION" chega a 10 de julho, e a banda já tem concertos agendados até ao final de setembro para promover este lançamento, garantindo que a energia intensa dos seus espetáculos chegue aos palcos e às pistas de dança.
Perspetiva
A chegada de "BODY TRANSMISSION" marca um novo capítulo para MAQUINA., solidificando a sua posição como uma das bandas mais inovadoras e impactantes da cena musical portuguesa independente. A sua capacidade de fundir géneros díspares e de transcender as barreiras entre o punk, o metal e a música de clubbing é um testemunho da sua originalidade, atraindo públicos diversos e "ligando bolhas" que raramente se encontram. A transição de um processo mais improvisacional para uma escrita de canções focada e condensada demonstra uma maturidade artística, procurando maximizar o impacto de cada nota e cada batida.
Além da inegável energia física que transmitem, a dimensão política e social que infundem em temas como "agony" eleva a sua arte para além do entretenimento puro. Ao usar a sua plataforma para comentar os conflitos e as manipulações do mundo contemporâneo, MAQUINA. posiciona-se não só como embaixadores da música eletrónica e pesada portuguesa, mas também como vozes conscientes e interventivas. Com uma agenda de concertos já preenchida até setembro, o trio de Lisboa está pronto para reafirmar a sua força nos palcos, provando que a música pode ser simultaneamente um catalisador para a dança desenfreada e um veículo para a reflexão crítica.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 15 de abril de 2026
PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.