Margarida Campelo edita "Música de Elevador"
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
11 de setembro de 2026

A Subtileza Sonora de Margarida Campelo Ascende com “Música de Elevador”
A visionária compositora Margarida Campelo lança esta sexta-feira, 11 de setembro, o seu mais recente trabalho discográfico, “Música de Elevador”. Editado pelos Discos Submarinos, o álbum, composto por doze temas originais, consolida o percurso autoral de uma das vozes mais inventivas da música portuguesa contemporânea. Este novo projeto promete aprofundar a identidade artística de Campelo, confirmando e expandindo o espaço singular que conquistou no panorama nacional.
“Música de Elevador” surge como um passo ambicioso na discografia de Margarida Campelo, sucedendo ao aclamado “Supermarket Joy”, que em 2023 garantiu à artista um lugar destacado nas listas de melhores álbuns do ano. Se o trabalho anterior foi determinante para a afirmação da sua linguagem e visão, este novo disco eleva essa proposta a um patamar superior de sofisticação e maturidade. O single “Cluedo” serve de cartão de visita para esta nova fase, convidando à exploração do universo sonoro que se desenha.
Conceito e Desenvolvimento de Uma Arquitetura Sonora
O ponto de partida para “Música de Elevador” é o imaginário da música ambiente — aquela sonoridade pensada para preencher espaços, criar atmosferas e induzir uma sensação imediata de bem-estar. Margarida Campelo abraça este conceito, mas subverte-o para construir uma obra de notável subtileza e complexidade. Sob uma superfície que se revela fluida, luminosa e enganadoramente leve, o disco esconde um trabalho composicional e de arranjo meticuloso, onde cada detalhe é cuidadosamente orquestrado para uma escuta densa e envolvente.
A artista explora a forma como o conforto e a estranheza, o imediato e o elaborado, o acessível e o complexo coexistem harmoniosamente dentro de cada tema. O elevador, neste contexto, transcende a mera imagem ou conceito, transformando-se na arquitetura imaginária do próprio disco. Cada faixa funciona como a abertura para um novo andar, um cenário distinto, uma atmosfera renovada ou uma pequena narrativa, convidando o ouvinte a uma viagem de transições e mudanças de espaço, onde o movimento importa mais do que o destino final.
A Visão Criativa por Trás da Obra
Em “Música de Elevador”, Margarida Campelo assume integralmente o controlo criativo do projeto. É a compositora de todos os temas, autora das canções, produtora e arranjadora do disco, demonstrando uma visão artística coesa e inabalável. No que respeita às letras, a cumplicidade criativa com Ana Cláudia e Beatriz Pessoa mantém-se, prolongando uma colaboração que tem sido um pilar importante do seu universo autoral.
A gravação do álbum decorreu em diversos locais, incluindo o Estúdio 52, O Louva-a-Deus e a casa da própria Margarida. Para esta empreitada, a artista rodeou-se da sua banda habitual, com João Correia na bateria e António Quintino no baixo elétrico e contrabaixo, enriquecida pelas participações especiais de José Soares no saxofone alto e Manuel Pinheiro na percussão. A qualidade sonora é assegurada pela mistura de Hugo Valverde e Eduardo Vinhas, e pela masterização de Mário Barreiros. O resultado é um disco mais atmosférico e conceptual, que desenvolve uma linguagem onde harmonias sofisticadas, grooves sedutores e um romantismo ligeiramente distraído se encontram com uma forte dimensão imagética.
Perspetiva
“Música de Elevador” evidencia a amplitude da escrita de Margarida Campelo enquanto compositora e a consistência de uma visão artística capaz de conciliar refinamento formal, invenção melódica e liberdade estética num território verdadeiramente pessoal. Num momento em que poucos artistas conseguem construir um universo tão reconhecível, sofisticado e inventivo, este novo trabalho confirma a sua posição como autora e compositora de exceção, ocupando um lugar muito próprio no presente da música portuguesa. Para celebrar este lançamento, Margarida Campelo apresentará “Música de Elevador” ao vivo no dia 16 de outubro, pelas 21h, no Pequeno Auditório do CCB, em Lisboa, num concerto que se antevê como uma oportunidade imperdível para experienciar a profundidade da sua nova obra.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 11 de setembro de 2026