Maripool divulga novo single “Favourite”
Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.
Redação PORTA B
2 de agosto de 2026

Maripool Mergulha na Intimidade de "Favourite" Enquanto Desvenda o Regresso Emocional de "Rotten Luck"
A compositora luso-britânica Maripool, nome artístico de Natacha Simões, prepara-se para revelar "Favourite" esta sexta-feira, 31 de julho, o segundo avanço do seu aguardado álbum de estreia, "Rotten Luck". O disco, que explorará as complexidades da identidade, memória e a ideia de regresso, promete um mergulho profundo no universo introspectivo da artista lisboeta radicada em Londres. Este lançamento marca um novo capítulo na sua trajetória, prometendo expandir o universo sonoro que já vinha a ser delineado nos seus trabalhos anteriores.
A Dualidade de um Regresso: De Lisboa a Londres e Vice-Versa
Nascida em Lisboa e hoje a viver em Londres, Maripool tem-se destacado na cena musical com uma sonoridade que navega entre o shoegaze e o indie alternativo. "Rotten Luck" surge como uma evolução natural, mais ampla, colaborativa e emocionalmente direta, comparativamente aos seus EPs anteriores. O álbum foi concebido durante uma residência artística de um mês em Lisboa, em janeiro de 2025, um período que se revelou crucial para a sua génese e para a exploração de temas como o deslocamento, a migração e a tensão constante entre o passado e o presente.
O ambiente da residência, num antigo edifício de pescadores do outro lado do rio, impôs uma quietude que se tornou parte integrante do processo criativo de Simões. Os dias eram frequentemente passados em silêncio, na observação do rio ou em momentos de escrita intensa e intermitente, enquanto as noites traziam o regresso à cidade e a reconexão com uma vida passada. Esta dualidade – entre o isolamento introspectivo e a redescoberta da cidade natal – é o cerne emocional de todo o trabalho e moldou profundamente a narrativa do álbum.
"Favourite": Um Olhar Sincero sobre a Despedida Silenciosa
O novo single, "Favourite", é uma representação vívida do lento e silencioso desfazer de uma relação, e da forma como a mente procura refúgio noutros lugares antes mesmo que o fim se concretize. Natacha Simões descreve a canção como uma reflexão sobre "encontrar distrações como forma de escapismo e de suavizar o inevitável", abordando com delicadeza a distância emocional, a negação e as pequenas estratégias que usamos para nos prepararmos para o fim. É uma peça que, sem dúvida, ressoará com a vulnerabilidade e honestidade que caracterizam a sua escrita.
O título do álbum, "Rotten Luck", encapsula esta paisagem emocional, sendo retirado de uma das canções escritas durante a residência. Reflete um acerto de contas silencioso com erros do passado e a subsequente busca por identidade. Tendo deixado Lisboa ainda adolescente, o seu regresso à cidade transformou-se numa confrontação direta com a sua própria identidade, não apenas com a pessoa em que se tornou, mas também com quem um dia tentou deixar para trás. A própria artista sublinha que o álbum é "o processo de descobrir uma parte de mim que nunca desapareceu por completo... confrontando quem sou quando tudo o que é externo desmorona."
Em termos sonoros, "Rotten Luck" também marca uma transição significativa. Gravado no sul de Londres com Joseph Futak, o álbum afasta-se do processo solitário que definia os lançamentos anteriores de Maripool. Pela primeira vez, a sua banda ao vivo participou ativamente, permitindo que as canções ganhassem forma de maneira orgânica em estúdio. Muitas faixas chegaram apenas como esboços, evoluindo através da experimentação, o que confere ao disco uma sensação de imediatismo e imprevisibilidade. Ao longo de "Rotten Luck", fragmentos do passado – gravações em VHS, memórias de infância e relações esquecidas – são não só mencionados, mas incorporados na própria música, sublinhando a tensão central do álbum entre quem fomos e quem nos tornamos.
Perspetiva
A jornada de Maripool, que se divide entre Lisboa e Londres, e a sua exploração de temas como a identidade, a memória e o regresso, ressoam profundamente no contexto cultural português. A sua música, construída sobre uma base de vulnerabilidade e introspeção, oferece uma voz pertinente para uma geração que frequentemente navega entre diferentes geografias e identidades, lidando com a saudade e a redescoberta de si mesma. A abordagem independente de Natacha Simões e a sua capacidade de transformar experiências pessoais em paisagens sonoras envolventes representam um contributo valioso para a diversidade da música portuguesa contemporânea. O seu trabalho não só enriquece o panorama cultural, como também estabelece uma ponte entre sensibilidades luso-britânicas, confirmando o seu papel como uma artista a ter em conta.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 2 de agosto de 2026
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