Marquise fizeram do Bons Sons 2026 um encontro entre duas décadas
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
9 de agosto de 2026

Marquise no Bons Sons 2026: A Sinfonia de Duas Décadas Que Pulsa no Presente
A banda Marquise, oriunda do Porto, incendiou a tarde do terceiro dia do festival Bons Sons 2026, em Cem Soldos. O quarteto trouxe ao palco uma proposta sonora que funde com mestria a efervescência pop dos anos 80 com a energia crua do rock dos anos 90. A sua atuação destacou-se pela capacidade de transformar memórias musicais em algo vibrante e inegavelmente contemporâneo.
Marquise: A Geração Que Redefine as Fronteiras Sonoras
Formados em 2022 por quatro estudantes universitários — Mafalda Rodrigues, Miguel Pereira, Miguel Azevedo e Matias Ferreira —, os Marquise emergiram como uma das vozes mais promissoras da nova geração de músicos portugueses. Desde cedo, o grupo demonstrou um desinteresse em seguir caminhos predefinidos, optando por uma abordagem eclética que reflete a diversidade de influências dos seus membros.
Esta fusão sonora distingue-os, permitindo-lhes olhar para o passado sem se prenderem à nostalgia. A sua música é uma ponte entre épocas, onde a sensibilidade melódica que marcou o pop oitocentista se entrelaça com a potência e a atitude irreverente características do rock noventista. Em Cem Soldos, esta identidade multifacetada encontrou o seu palco ideal, provando que é possível unir diferentes referências sem que estas percam a sua essência.
A Química Vibrante Que Conquistou Cem Soldos
A performance dos Marquise foi um testemunho da sua energia jovem e da cumplicidade que une os quatro músicos. Em palco, a banda projetou uma espontaneidade contagiante, uma atuação direta que dispensou artifícios. As guitarras impulsionaram o espetáculo com a força necessária, enquanto as melodias revelavam um lado mais luminoso e cuidadosamente construído, criando uma dinâmica cativante.
Nesse encontro entre a força e a melodia, os Marquise encontraram um equilíbrio singular. A sua sonoridade revelou-se suficientemente pop para se fixar na memória do público, mas simultaneamente robusta e rock para manter um impacto inegável. Esta performance deixou a sensação de se estar perante um coletivo em plena descoberta do alcance das suas próprias composições, numa jornada partilhada com quem assistia.
A plateia de Cem Soldos acompanhou entusiasticamente esta exploração musical. À medida que cada tema era apresentado, a ligação entre a banda e o público intensificava-se, manifestada em aplausos calorosos e movimentos que confirmavam a ressonância daquela mistura de referências. Ficou claro que a proposta inovadora dos Marquise encontrou em Cem Soldos um espaço de plena aceitação e reconhecimento.
Perspetiva
O concerto dos Marquise no Bons Sons 2026 não foi apenas mais uma atuação; foi uma afirmação do potencial de uma nova geração de artistas portugueses que se recusa a ser categorizada. A sua abordagem demonstra que a originalidade na música atual pode residir na capacidade de dialogar com diferentes legados, recontextualizando-os para criar algo que é inequivocamente do presente. Este é um caminho promissor para a diversidade cultural do país.
A banda do Porto oferece uma perspetiva fresca sobre como as memórias musicais podem ser transformadas em expressões artísticas com relevância contemporânea. Ao transcender as barreiras temporais entre os anos 80 e 90, os Marquise não só honram o passado, como o reinventam, solidificando a sua posição como um grupo a seguir de perto no panorama musical português. A sua performance em Cem Soldos é um exemplo claro de como a inovação pode nascer da fusão inteligente de influências díspares.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 9 de agosto de 2026