MÚSICA

MATILDA lança álbum de estreia “DE CORPO INTEIRO”

Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.

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Redação PORTA B

24 de maio de 2026

4 min de leitura|6 leituras
MATILDA lança álbum de estreia “DE CORPO INTEIRO”

MATILDA Entrega-se "DE CORPO INTEIRO": O Diário Musical de Uma Voz Que Redefine O R&B Português

A cantora e compositora portuguesa MATILDA lançou na passada sexta-feira, 22 de maio, o seu aguardado álbum de estreia, intitulado "DE CORPO INTEIRO". Após um ano a desvendar, em vários momentos, as profundas camadas do seu universo emocional, a artista apresenta finalmente um trabalho coeso de Pop e R&B, que se revela como um testemunho íntimo, corajoso e profundamente pessoal. Este disco solidifica a chegada de uma das mais promissoras vozes da música portuguesa contemporânea.

A Consolidação de Uma Visão Artística Singular

MATILDA emerge no panorama musical com uma herança única e uma perspetiva genuinamente sua, características que se refletem de forma evidente em "DE CORPO INTEIRO". O álbum, que conjuga elementos de R&B e Pop com influências portuguesas profundamente enraizadas, é uma tapeçaria sonora construída a partir de letras intimistas e uma sonoridade envolvente. A artista explora temas como a vulnerabilidade, a autodescoberta e o crescimento pessoal, convidando o ouvinte a uma viagem emocional sem filtros.

A jornada até este lançamento foi marcada pela revelação gradual de quatro singles que prepararam o terreno para a chegada do projeto completo. "Inconstante" foi a canção que assinalou a sua estreia oficial, seguida por "Cem Flores", "Meu Norte" e "Miragem", o mais recente avanço que agora integra o álbum na sua totalidade. Cada uma destas faixas ofereceu um vislumbre do universo complexo e envolvente que MATILDA tece.

Um Diário Musical de Vulnerabilidade e Força

O título "DE CORPO INTEIRO" não poderia ser mais apropriado para o trabalho de MATILDA, que se entrega neste disco sem reservas. A artista cresceu rodeada de música e arte, influenciada por uma família com uma ligação profunda à cultura portuguesa. Contudo, longe de se deixar paralisar por este legado, MATILDA encontrou nele a inspiração necessária para construir um caminho radicalmente seu, moldado por uma jornada de autodescoberta e superação de desafios pessoais que ressoa em cada nota do álbum.

Este trabalho é uma exploração da sua própria identidade, quase como um diário aberto. A artista descreve-o como a sua "viagem emocional", onde cada canção revela uma camada, transitando da insegurança à força, da dúvida à aceitação. Na sua música, a vulnerabilidade é vivida plenamente, como um convite a revisitar feridas, desmontar versões antigas de si mesma e reconstruir-se com uma nova consciência. O álbum aborda a experiência de ser mulher em todas as suas contradições: sensível, intensa, frágil, consciente, mas, acima de tudo, poderosa.

Em "DE CORPO INTEIRO", as histórias de amor entrelaçam-se com a busca por um lugar no mundo. Embora existam diversas narrativas românticas, uma delas permanece como o seu "chão no meio do caos", a linha invisível que conecta o início ao fim. Este disco é uma carta aberta das suas vulnerabilidades, ao mesmo tempo que reflete a procura pelo seu próprio espaço – emocional, físico e artístico – sem pedir permissão. É um testemunho sobre a capacidade de transformar a dor em linguagem e o silêncio em voz, sobre a coragem de existir na sua plenitude.

Perspetiva

O lançamento de "DE CORPO INTEIRO" marca um momento significativo para a música portuguesa, introduzindo uma artista que não teme a profundidade emocional e a autenticidade. MATILDA traz uma nova dimensão ao Pop e R&B nacional, infundindo-o com uma sensibilidade portuguesa e uma honestidade crua que se distingue. A sua capacidade de transformar experiências pessoais em arte universal, aliada à sua voz singular e à fusão de géneros, promete ressoar profundamente junto do público e solidificar o seu lugar como uma figura incontornável no panorama cultural do país. Este álbum não é apenas uma estreia; é uma declaração de intenções de uma artista que se propõe a existir, e a criar, de corpo inteiro.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 24 de maio de 2026

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