MÚSICA

Matthew Stevens partilha “Hazy”… jazz em estado de suspensão emocional

Matthew Stevens lançou “Hazy”, single do álbum homónimo a sair a 8 de maio. A faixa, introspectiva e atmosférica, reflete uma neblina emocional.

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Redação PORTA B

8 de abril de 2026

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Matthew Stevens partilha “Hazy”… jazz em estado de suspensão emocional

Matthew Stevens lança “Hazy”… jazz em estado de suspensão emocional

O guitarrista e produtor norte-americano Matthew Stevens, uma das figuras mais respeitadas do jazz contemporâneo, revelou hoje, 8 de abril, o single “Hazy”, uma peça que promete deixar marca no panorama musical. Este lançamento surge como o segundo avanço do álbum homónimo que Stevens prepara para revelar ao público no próximo dia 8 de maio, através da Candid Records. Com uma sonoridade hipnótica e carregada de emoção, a faixa explora um território musical onde o jazz se dilui em paisagens ambientais e texturas introspectivas.

Um diálogo musical entre o saxofone e a guitarra

“Hazy” é fruto de uma colaboração estreita entre Matthew Stevens e o saxofonista e co-produtor Josh Johnson, músico que já trabalhou ao lado de nomes como Flea, dos Red Hot Chili Peppers, e Meshell Ndegeocello. Neste tema, a guitarra de Stevens e o saxofone de Johnson dialogam como se fossem extensões emocionais um do outro, criando uma atmosfera de suspensão que parece evocar um estado de vulnerabilidade e introspeção.

A peça tem uma construção que foge aos padrões tradicionais do jazz, apostando mais na criação de ambientes e texturas do que na exibição de virtuosismo instrumental. As guitarras de Stevens desdobram-se em camadas e ecoam como memórias distantes, enquanto o saxofone de Johnson flutua como vapor num espaço sonoro que se recusa a ser definido. É música que se escuta com o coração, mas também com a mente, convidando o ouvinte a mergulhar num estado quase meditativo.

A neblina emocional como inspiração

Matthew Stevens revelou que “Hazy” foi composta num período particularmente desafiador da sua vida, em que se encontrava envolto numa espécie de névoa emocional e sem clareza sobre o seu futuro. Essa sensação de indefinição e vulnerabilidade está intrinsecamente ligada à construção do tema, que se desenvolve como uma crónica musical desse estado de espírito. A faixa não oferece respostas, apenas abre espaço para que as dúvidas e emoções fluam, como um rio cujas águas se movem lentamente mas com propósito.

A capacidade de Stevens de transformar momentos pessoais em arte é uma das características que o tornam um dos nomes mais cativantes do jazz contemporâneo. Em “Hazy”, essa habilidade atinge o seu auge, criando uma peça que é simultaneamente profundamente pessoal e universal.

Jazz contemporâneo a desafiar fronteiras

O álbum “Matthew Stevens”, de onde “Hazy” foi extraída, promete ser uma obra que desafia as fronteiras do género jazz. Stevens tem sido um pioneiro na integração de elementos de ambient e música experimental no seu trabalho, e este novo disco parece continuar essa trajetória. O single hoje lançado reafirma o compromisso do guitarrista em explorar novas linguagens musicais, recusando-se a seguir tendências ou repetir fórmulas.

Com uma produção que privilegia o detalhe e a atmosfera, Stevens e Johnson conseguem criar um espaço sonoro onde a música se torna quase tangível, como se fosse possível sentir as texturas e as cores que emanam das notas. Não é apenas um exercício de técnica; é uma experiência sensorial que revela o poder transformador da música.

Um olhar sobre o futuro

Com o lançamento de “Hazy”, Matthew Stevens dá-nos uma amostra do que podemos esperar do seu próximo álbum. Se esta faixa é indicativa do restante trabalho, estamos prestes a testemunhar a criação de um disco que poderá redefinir os parâmetros do jazz contemporâneo. Stevens é um artista que não teme a vulnerabilidade e que usa a música como ferramenta para explorar estados emocionais complexos, oferecendo ao público uma forma de se relacionar consigo próprio e com o mundo.

Até ao dia 8 de maio, data em que o álbum será oficialmente lançado, resta-nos mergulhar no universo de “Hazy” e refletir sobre o poder da arte como um espelho das nossas próprias inquietações.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 8 de abril de 2026

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