MÚSICA

MaZela estreia nova canção “Bordado”

Maria Roque regressa com o single "Bordado", uma reflexão íntima sobre luto, amor e renovação, produzido por Alexandre Mendes e com videoclipe de Henrique Lourenço.

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Redação PORTA B

19 de fevereiro de 2026

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MaZela estreia nova canção “Bordado”

MaZela estreia nova canção “Bordado” — uma reflexão sobre luto, amor e renovação

Regresso intimista após o EP de estreia

Depois de se apresentar ao público com o EP “Desgostos em Canções de Colo”, Maria Roque, que assina enquanto MaZela, está de regresso com um novo single que promete marcar a sua identidade artística: “Bordado”. A canção surge como um ponto de viragem, explorando a intensidade emotiva e a profundidade lírica que já haviam caracterizado o trabalho inicial, mas agora com uma voz mais maturada e renovada pela experiência do luto e da transformação.

Entre fé e mágoa: a força do direito à despedida

“Bordado” revela-se uma composição singular, nascida do piano em 2022, num momento de despedida profundamente pessoal da artista. MaZela assume que a canção foi escrita “entre lágrimas e memórias”, durante a partida de uma pessoa muito querida. Essa vivência atravessa toda a estrutura da música, que se torna, mais do que uma homenagem, um espaço de reflexão sobre aquilo que permanece de quem parte e o que muda em quem fica. A artista explora o direito às despedidas, propondo uma aproximação honesta ao luto, sem esconder a mágoa, mas também sem perder a fé no recomeço.

A dualidade entre fé e mágoa é costurada pela voz de MaZela, cuja interpretação carrega uma vulnerabilidade rara. Para a artista, cantar este tema é um ato de resistência diante da perda, uma tentativa de não se perder a si própria, de encontrar um novo sentido através da música. O single é, assim, um bordado feito com tempo, silêncio e verdade, elementos que se refletem na delicadeza da produção e na densidade das palavras.

Uma produção cuidadosa e um videoclipe evocativo

A produção da canção esteve a cargo de Alexandre Mendes, colaborador habitual de Maria Roque, que ajudou a reinventar a composição originalmente escrita ao piano. A versão que chega agora aos ouvintes foi “adaptada às duas guitarras”, para ganhar corpo nos palcos onde MaZela se tem apresentado. Segundo a artista, esta versão é “vivida e viajada”, resultado de uma maturação que só o tempo do luto permitiu. No entanto, mantém-se a vontade de partilhar, futuramente, a versão original, mais crua e privada.

O lançamento de “Bordado” é acompanhado por um videoclipe realizado por Henrique Lourenço, que amplifica a dimensão visual e sensorial da canção. O vídeo aposta numa estética intimista, reforçando o carácter pessoal da música e aprofundando a ligação entre imagem e som. A simplicidade das escolhas visuais permite que o foco se mantenha na expressão emocional da artista, num testemunho que procura, acima de tudo, tocar quem já atravessou a experiência da perda.

Novas canções e apresentação ao vivo na Casa Capitão

O regresso de MaZela não se limita ao single. Já este sábado, 21 de fevereiro, a artista vai estar ao vivo na Casa Capitão, em Lisboa, num concerto que se antecipa como momento marcante para a nova fase da sua carreira. MaZela promete apresentar, em primeira mão, novas canções que irão integrar o próximo disco, sinalizando um processo de renovação e crescimento artístico. A actuação será uma oportunidade rara para ouvir “Bordado” ao vivo, numa versão que preserva a fragilidade e o tempo de maturação durante o luto, e para conhecer os próximos passos de uma artista que se distingue pela honestidade e pela profundidade das suas propostas.

Num panorama musical onde o luto, o amor e a transformação são frequentemente abordados de forma superficial, MaZela oferece uma alternativa autêntica e pensada, marcada pela generosidade de quem partilha a sua dor e a utiliza como motor de criação. O single “Bordado” assinala, assim, não só um regresso, mas uma afirmação clara de identidade e de intenção artística, traduzida numa canção que desafia o silêncio, o tempo, e a verdade de cada despedida.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 19 de fevereiro de 2026

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