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Misty Fest anuncia secção contemporary jazz nights com 5 novos nomes no cartaz

O Misty Fest reforça

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Redação PORTA B

23 de abril de 2026

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Misty Fest anuncia secção contemporary jazz nights com 5 novos nomes no cartaz

Vanguarda do Jazz Ilumina Misty Fest com Secção Inédita e Nomes de Peso

A 17.ª edição do Misty Fest desvenda uma nova e ambiciosa secção, as "Contemporary Jazz Nights", prometendo uma imersão nas linguagens mais inovadoras e versáteis do jazz contemporâneo. O programa, que decorre entre outubro e novembro, trará a Portugal cinco artistas de relevo internacional – Laura Misch, Svaneborg Kardyb, Vega Trails, Mammal Hands, e Anne Paceo – distribuídos por quatro das mais prestigiadas salas nacionais, em Lisboa e no Porto.

Compromisso com a Diversidade Estética

Este novo segmento reforça o compromisso do festival com a diversidade estética e a descoberta de novos territórios musicais, apostando em propostas que desafiam as fronteiras tradicionais do jazz. Ao dedicar um espaço específico às correntes mais atuais e experimentais, o Misty Fest posiciona-se como um palco crucial para a evolução sonora, convidando o público a explorar sonoridades que transcendem géneros e convenções.

A escolha de espaços emblemáticos como o Mouco e a Casa da Música no Porto, e o São Luiz Teatro Municipal e o Centro Cultural de Belém em Lisboa, sublinha a ambição e a qualidade da iniciativa. Estas salas, reconhecidas pela sua programação cultural de excelência, oferecem o ambiente ideal para acolher a complexidade e a intimidade das propostas artísticas que compõem as "Contemporary Jazz Nights", garantindo uma experiência imersiva e memorável.

Palco para a Inovação Sonora

A secção arranca com Laura Misch, uma saxofonista, cantora e artista multidisciplinar cuja obra entrelaça de forma inovadora as suas três vozes principais: saxofone, canto e síntese. A artista, que expande a sua paleta electroacústica inspirada em pioneiras da música eletrónica, desenvolve espetáculos centrados nos sons da natureza, convidando à escuta profunda e à contemplação. Os vencedores de dois Danish Music Awards Jazz 2019, Svaneborg Kardyb, continuam a aperfeiçoar o seu universo sonoro, frase a frase, groove pulsante a groove pulsante, levando o seu som em constante evolução a públicos de todo o mundo. O duo apresenta o seu mais recente trabalho, “Superkilen”, um álbum de contrastes que é simultaneamente luminoso e nostálgico, voltado para fora mas profundamente pessoal.

Vega Trails, o projeto de chamber jazz expansivo e cinematográfico do contrabaixista e compositor Milo Fitzpatrick, membro fundador dos Portico Quartet, conta com a participação do saxofonista Jordan Smart (Mammal Hands, Sunda Arc). Depois de lançar o aclamado álbum de estreia “Tremors in the Static” em 2022, Milo expande agora essa base sonora com o sucessor, “Sierra Tracks”, inspirado na paisagem das encostas da Serra de Guadarrama, onde reside. Os Mammal Hands, formados em Norwich em 2012, rapidamente conquistaram a admiração de pares ilustres como Bonobo, Tom Ravenscroft, Jamie Cullum e Gilles Peterson pela sua abordagem inventiva, construindo uma base de fãs internacional e uma sólida reputação pela intensidade das suas atuações ao vivo.

A programação culmina com Anne Paceo, uma figura maior da cena musical atual e porta-estandarte do novo movimento de jazz crossover. A baterista e compositora francesa tem sido largamente elogiada pela sua técnica e visão musical, imbuída de transe e espiritualidade. A sua entrada na Ordem das Artes e Letras em 2021, os múltiplos prémios que recebeu – incluindo três Victoires du Jazz – e uma discografia rica, testemunham um percurso artístico singular.

Os concertos da secção "Contemporary Jazz Nights" estão agendados da seguinte forma: Laura Misch atua a 16 de outubro no Mouco, Porto, e a 29 de novembro no CCB, Lisboa, onde partilha o palco com Mammal Hands e Anne Paceo. Svaneborg Kardyb e Vega Trails apresentam-se juntos a 18 de novembro na Casa da Música, Porto, e a 19 de novembro no São Luiz Teatro Municipal, Lisboa. Finalmente, Mammal Hands e Anne Paceo encerram a secção a 30 de novembro na Casa da Música, Porto.

Perspetiva

A introdução das "Contemporary Jazz Nights" no Misty Fest representa um passo significativo para a cena cultural portuguesa, elevando a oferta de jazz contemporâneo e proporcionando uma plataforma de destaque para artistas que definem as linguagens musicais do século XXI. Esta iniciativa não só enriquece o panorama musical do país, como também solidifica a posição de Portugal no circuito internacional da música de vanguarda, atraindo públicos sedentos por experiências sonoras inovadoras. Ao trazer nomes de tamanha envergadura e diversidade, o festival demonstra uma visão curatorial perspicaz, capaz de estimular o diálogo entre diferentes estéticas e inspirar uma nova geração de músicos e ouvintes.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 23 de abril de 2026

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