MÚSICA

MONSTRO abriu o quarto dia de Vilar de Mouros entre melancolia e intimidade

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

22 de agosto de 2026

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MONSTRO abriu o quarto dia de Vilar de Mouros entre melancolia e intimidade

MONSTRO Desvenda Melancolia e Intimidade na Alvorada do Quarto Dia de Vilar de Mouros

O quarto dia do festival CA Vilar de Mouros 2026 teve o seu arranque marcado pela singularidade de MONSTRO, o projeto português que soube transformar a melancolia numa abertura particularmente envolvente para mais uma jornada musical. A dupla entregou uma performance que priorizou a atmosfera e a delicadeza, estabelecendo um tom distinto no palco principal do evento.

A Génese Sonora de MONSTRO

A génese de MONSTRO reside num encontro musical improvável, mas profundamente coeso, entre Gonçalo Ferreira e Isaac Oliveira. De um lado, a robustez e experiência ligadas ao rock; do outro, a fluidez e complexidade do jazz. Esta confluência de universos musicais distintos deu origem a uma sonoridade que se distancia das convenções, procurando antes uma identidade própria e inconfundível.

O resultado é um projeto que elege os detalhes em detrimento da exuberância, a proximidade face ao excesso. As referências à pop dos anos 60 são habilmente filtradas por uma sensibilidade contemporânea, gerando canções que, embora carregadas de uma certa nostalgia, nunca se mostram presas ao passado. É uma reinvenção subtil, onde a memória se torna ponte para o novo, criando paisagens sonoras que convidam à introspeção.

"Unborn Love" ao Vivo: Uma Construção Lenta e Profunda

Em Vilar de Mouros, MONSTRO desvendou o universo sonoro de "Unborn Love", o seu álbum de estreia lançado em novembro de 2025. Longe de uma entrada bombástica ou explosiva, a dupla optou por uma construção gradual e cuidadosa do ambiente, permitindo que cada canção encontrasse o seu espaço para respirar e florescer diante do público que se ia reunindo.

Guitarras melódicas, teclados envolventes e uma secção rítmica precisa contribuíram para edificar uma atmosfera profundamente imersiva. Cada instrumento parecia uma peça essencial num intrincado cenário sonoro, onde a fragilidade inerente às composições convivia harmoniosamente com uma beleza singular, transformando o palco num espaço de pura experimentação emotiva.

O concerto de MONSTRO tornou-se assim um convite à contemplação, um momento de pausa e atenção num festival que ainda tinha longas horas pela frente. Mais do que um mero espetáculo, foi uma experiência sensorial que sublinhou a capacidade do projeto em criar ambientes que ressoam com a introspeção e a emoção, preparando o terreno para o resto do dia com uma nota de profundidade.

Perspetiva

A performance de MONSTRO em Vilar de Mouros não é apenas um destaque no calendário de festivais, mas também um espelho de uma tendência crescente na música portuguesa. O projeto, com a sua abordagem que privilegia a profundidade sobre a superficialidade e a emoção sobre o artifício, demonstra a vitalidade de uma cena musical que se atreve a explorar territórios mais introspectivos e multifacetados, enriquecendo o panorama cultural nacional.

Ao fundir influências tão distintas como o rock e o jazz, e ao reelaborar a pop dos anos 60 com um olhar contemporâneo, MONSTRO oferece uma alternativa refrescante. A sua música contribui para a diversificação do panorama cultural nacional, provando que a originalidade e a sensibilidade podem, e devem, coexistir com a grandiosidade dos grandes palcos, convidando o público a uma escuta mais atenta e recompensadora.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 22 de agosto de 2026

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