Morrissey regressa com novo álbum "Make-Up Is A Lie"
Morrissey lança o 14.º álbum a solo, "Make-Up Is A Lie", com produção de Joe Chiccarelli e temas poéticos e provocadores gravados em França.
Redação PORTA B
8 de março de 2026

Morrissey regressa com novo álbum "Make-Up Is A Lie"
Morrissey, figura incontornável da música contemporânea e ícone de várias gerações, está de regresso com o seu décimo quarto álbum a solo, intitulado "Make-Up Is A Lie". Este trabalho reafirma o estatuto do cantor britânico como um dos artistas mais inovadores, provocadores e visionários dos últimos quarenta anos. Composto por doze faixas, o novo registo já está a dar que falar, tanto pelo seu título fortemente simbólico como pela riqueza artística que transborda de cada canção.
Um álbum nascido no sul de França
"Make-Up Is A Lie" marca mais uma colaboração entre Morrissey e o conceituado produtor Joe Chiccarelli, conhecido pelo seu trabalho com bandas como The Strokes, Weezer e The White Stripes. O disco foi gravado no estúdio La Fabrique, situado na pitoresca região de Saint-Rémy-de-Provence, no sul de França. Este regresso ao mesmo local de produção de álbuns anteriores parece ter alimentado a criatividade de Morrissey, que entrega aqui um conjunto de temas carregados de poesia, intensidade emocional e sonoridades imprevisíveis.
Nas palavras de quem já teve a oportunidade de ouvir o disco, "Make-Up Is A Lie" é uma obra que equilibra momentos de introspeção melancólica com explosões de energia, transportando os ouvintes numa viagem emocional por reflexões sobre identidade, verdades pessoais e os desafios da condição humana. O título do álbum, que traduzido significa "A Maquilhagem é uma Mentira", sugere uma crítica à superficialidade das aparências, algo que o artista nunca teve receio de confrontar ao longo do seu percurso artístico.
Canções que já conquistaram os fãs
Entre as doze faixas que compõem o álbum, já se destacam alguns temas que rapidamente cativaram a atenção do público. O single que dá nome ao álbum, "Make-Up Is A Lie", assume-se como uma poderosa declaração, evocando o estilo caracteristicamente irónico e mordaz de Morrissey. A balada "Notre-Dame" mergulha numa reflexão poética sobre a tragédia e a resiliência, enquanto "The Monsters of Pig Alley" tem vindo a conquistar o estatuto de favorita nos concertos ao vivo, onde Morrissey, como sempre, deixa a sua marca inconfundível.
O disco inclui ainda uma homenagem ao rock dos anos 70, com uma versão de "Amazona", tema original dos icónicos Roxy Music. Mantendo-se fiel à sonoridade da banda britânica, Morrissey acrescenta o seu cunho pessoal, reinventando a canção de 1973 com uma abordagem vocal melancólica e intimista.
Uma equipa de luxo
Para dar vida a "Make-Up Is A Lie", Morrissey contou com o contributo de músicos de longa data, cuja química com o cantor se reflete em arranjos coesos e vigorosos. Nomes como Jesse Tobias, Alain Whyte, Gustavo Manzur e Brendan Buckley voltam a acompanhar Morrissey nesta empreitada, enquanto novas colaborações, como a de Camila Grey e Carmen Vandenberg, trazem frescura e novas texturas sonoras ao trabalho.
Um legado em constante evolução
Desde os tempos em que liderava os icónicos The Smiths, Morrissey estabeleceu-se como uma das figuras mais influentes da música moderna e uma voz toral para os desiludidos, os apaixonados e os inconformados. Agora, com "Make-Up Is A Lie", o artista continua a desafiar os limites da criação musical, oferecendo um trabalho que é tanto uma celebração das suas raízes como uma promessa de evolução contínua.
O álbum promete ser mais do que uma simples coleção de canções; é um espelho das inquietações e reflexões de um artista que nunca teve medo de expor a sua alma. Morrissey volta a recordar-nos que, no mundo da música e da cultura, a autenticidade e a coragem artística são os elementos que verdadeiramente resistem ao teste do tempo.
Com o regresso ao estúdio e às digressões, Morrissey mantém-se uma força imparável, mostrando que, mesmo após quatro décadas de carreira, continua a reinventar-se e a desbravar novos caminhos para a música e para a expressão artística.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 8 de março de 2026
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