NOS Alive 2026 acaba de anunciar o seu oitavo palco
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
21 de junho de 2026

A Palavra Ganha Palco no NOS Alive: Festival Anuncia Oitavo Espaço Dedicado à Literatura
O Passeio Marítimo de Algés prepara-se para acolher uma novidade de peso na 18.ª edição do NOS Alive: um oitavo palco inteiramente dedicado à literatura. Batizado de Palco Literário, este novo espaço visa celebrar os livros, a escrita e o poder das histórias, prometendo enriquecer a experiência cultural dos visitantes nos dias 9, 10 e 11 de julho. A iniciativa sublinha a convicção de que a música e as narrativas estão intrinsecamente ligadas, reforçando a aposta do festival na diversidade das expressões artísticas.
Uma Ponte entre Melodia e Narrativa
A inclusão de um palco literário no NOS Alive'26 marca um passo significativo na evolução do evento, que procura expandir o seu alcance cultural para além da oferta musical. Este novo espaço reflete a compreensão de que as palavras, as narrativas e a imaginação são a base da criação artística, servindo como fonte de inspiração para a música e como pilares fundamentais da cultura contemporânea. O festival propõe, assim, um diálogo entre diferentes formas de arte, evidenciando a interconexão entre o universo sonoro e o universo literário.
A aposta na literatura como parte integrante de um festival de música demonstra uma visão alargada da cultura, onde as fronteiras disciplinares se esbatem em prol de uma experiência mais rica e multifacetada. O Palco Literário surge com a ambição de aproximar autores e leitores, criando momentos únicos de encontro e reflexão. É uma oportunidade para o público explorar novas perspetivas, sentir e compreender o mundo através das histórias e do pensamento, numa celebração que transcende o formato tradicional de um festival de verão.
Encontros de Pensamento e Criação
A programação do Palco Literário promete sessões estimulantes com alguns dos mais conceituados nomes da literatura portuguesa contemporânea, abordando temáticas que cruzam a escrita, a música, a criatividade e o pensamento. No dia 9 de julho, a abertura do palco contará com a presença de Valter Hugo Mãe, que explorará a questão "A que soam os livros?", numa reflexão sobre a sonoridade implícita na leitura. Segue-se Pedro Chagas Freitas, com uma sessão intitulada "Greatest Hits", ambas as conversas sob a moderação da radialista e escritora Ana Markl, que guiará o público por estes universos literários.
No dia 10 de julho, o Palco Literário será palco de um encontro entre a música e a escrita, com Luísa Sobral e Afonso Cruz. A dupla irá desvendar o processo criativo que liga a composição musical à escrita, numa conversa intitulada "Das letras à música", com moderação de Pedro Boucherie. O último dia do NOS Alive'26, 11 de julho, acolherá duas sessões distintas: "Ensaiar a escrita", com Ana Bárbara Pedrosa e Francisco Guimarães, numa conversa dirigida por David Azevedo Lopes, e uma intervenção singular de Hugo Van Der Ding, sob o título "Isto não tem nada a ler", prometendo uma perspetiva única e desafiadora sobre a literatura.
Perspetiva
A introdução do Palco Literário no NOS Alive representa um marco relevante no panorama cultural português. Ao integrar a literatura num dos maiores festivais de música do país, o evento contribui para desmistificar a leitura e torná-la acessível a um público mais vasto e diversificado, que talvez não procurasse ativamente eventos literários. Esta iniciativa reforça a importância dos livros na formação do pensamento crítico, na construção da imaginação e na emergência de novas formas de expressão artística, elementos cruciais para o desenvolvimento cultural e social de Portugal.
A PORTA B entende que este movimento do NOS Alive não é apenas uma expansão de oferta, mas um reconhecimento da interdependência das artes e um convite à reflexão sobre o seu papel na sociedade. Ao promover estes encontros entre autores e leitores, e ao sublinhar que a música também nasce das palavras, o festival cria um espaço valioso para a troca de ideias e para a celebração da riqueza cultural portuguesa, cimentando o papel da literatura como um pilar fundamental e dinâmico da nossa identidade contemporânea.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 21 de junho de 2026
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