O NEOPOP é nesta edição ANTIPOP
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Redação PORTA B
29 de abril de 2026

Viana do Castelo: NEOPOP Celebra Duas Décadas com Grito de Rebeldia – O ANTIPOP Chega em Agosto
Viana do Castelo prepara-se para acolher, entre os dias 6 e 8 de agosto, a edição mais ambiciosa e disruptiva do NEOPOP Festival. No seu 20º aniversário, o evento de referência na música eletrónica portuguesa renasce sob a bandeira "ANTIPOP", prometendo uma celebração que desafia o convencional e promove uma experiência artística de proximidade, honrando o passado e abrindo portas ao futuro.
Duas Décadas de Inovação e um Novo Manifesto
A edição de duas décadas do NEOPOP afirma-se como um verdadeiro manifesto. A visão por trás do "ANTIPOP" reflete um desejo de golpear o status quo da indústria musical, criando um antídoto contra a inflação e a padronização. A curadoria artística desta edição é um testemunho dessa filosofia, reunindo lendas da música eletrónica e talentos emergentes, com uma presença recorde de artistas nacionais. É uma celebração que interliga profundamente a música e a arte visual, prometendo uma imersão sensorial completa para o público.
Este espírito de renovação não se limita à designação. O festival reformulou o seu palco principal e introduziu um novo espaço, o Back Stage, numa reinterpretação irónica de conceitos que o evento se propõe a rejeitar. A campanha de comunicação do festival também reflete esta quebra de paradigmas, apresentando todos os artistas em plano de igualdade, em simples ordem alfabética, desafiando a hierarquia habitual dos cartazes e dos destaques.
O Cartaz do ANTIPOP: Entre Lendas e Rebeldia
O Forte de Santiago da Barra será o cenário para uma constelação de nomes que definem e redefinem a música eletrónica. O pilar do techno mundial, Ben Klock, apresenta-se num back-to-back com o veterano de Berlim Rødhåd, enquanto a fusão de visões de Joseph Capriati e Luke Slater promete um embate geracional de excelência. O legado inquestionável de Jeff Mills, uma figura gigante da eletrónica, dispensa apresentações e é uma presença incontornável.
A lista de artistas é vasta e eclética, com a dupla Ben Sims e Chris Liebing, os FJAAK com KiNK, e o aguardado regresso dos Octave One e do canadiano Mathew Jonson. Nomes como Ellen Allien, SALOME, Ivan Smagghe, Enrica Falqui, Jiggy, The Advent, Goldie, e o duo Frank Maurel e Josh Wink completam a primeira vaga de anúncios. Entre as participações mais sonantes no panorama mundial, destaca-se Dax J, bem como os regressos de Daria Kolosova e KOLO55 (também conhecido como Paul Ritch), que no ano passado deixaram a sua marca no Anti Stage. Combinações inesperadas incluem BIIA com Patrick Mason, prometendo um ato de quebra de barreiras, a junção de Adiel e Quest em explosivas misturas de vinil, as icónicas Helena Hauff e IMOGEN, e a estreia em Viana da DJ Gigola, conhecida pela sua inventividade na pista.
A 27 de abril, o festival solidificou a sua proposta para esta edição histórica, agora sob a bandeira ANTIPOP, revelando um alinhamento ainda mais robusto. Nina Kraviz, Indira Paganotto e a dupla Supermayer (composta por Superpitcher e Michael Mayer) tomam de assalto o primeiro dia, 6 de agosto. O dia 7 de agosto marca o regresso do veteraníssimo Richie Hawtin ao Forte de Santiago da Barra com o seu espetáculo ao vivo "DEX EFX X0X", uma experiência imersiva que atravessa sets de 1995 a 2005. Nesse dia, juntam-se ainda Dubfire e Enrico Sangiuliano, dois artistas com backgrounds distintos que comandam legiões de seguidores. Para encerrar o festival, a 8 de agosto, chegam do Bronx os The Martinez Brothers, habituais residentes das noites de Ibiza e titãs da house music, acompanhados pelo espanhol Paco Osuna, cuja presença é uma inevitabilidade para as celebrações.
Perspetiva
A transformação do NEOPOP em ANTIPOP representa um momento cultural significativo para Portugal. Ao desafiar as convenções do setor e focar-se na essência da experiência musical e na proximidade com o público, o festival não só celebra a sua própria história de inovação, mas também se posiciona como um farol para o futuro dos eventos culturais no país. A ênfase na curadoria artística que honra o passado e abraça o novo, aliada à presença recorde de talento nacional, reforça o papel do NEOPOP como plataforma vital para a cena eletrónica portuguesa e como um evento capaz de gerar um impacto duradouro na cidade de Viana do Castelo e na cultura nacional.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 29 de abril de 2026
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