Palheta Bendita celebra 20 anos de multiculturalidade e inclusão com programa reforçado
O festival Palheta Bendita celebra 20 anos com programação multicultural reforçada, incluindo música, oficinas e exposições no Parque Urbano de Geão, Santo Tirso.
Redação PORTA B
4 de maio de 2026

Palheta Bendita celebra 20 anos de multiculturalidade e inclusão com programa reforçado
O Parque Urbano de Geão, em Santo Tirso, prepara-se para acolher mais uma edição do emblemático festival Palheta Bendita, que este ano celebra duas décadas de existência. Entre os dias 12 e 14 de junho, o evento promete uma programação rica e diversificada, com nove projetos musicais oriundos de diferentes cantos do mundo, exposições, oficinas e um espetáculo comunitário inédito. O festival, que nasceu em 2005, afirma-se como um espaço de encontro e celebração da multiculturalidade e da diversidade musical.
“Celebramos esta 20.ª edição com uma programação reforçada e, acima de tudo, um espaço ainda mais inclusivo, onde partilhamos conhecimento, celebramos as heranças culturais e promovemos a multiculturalidade”, refere Napoleão Ribeiro, porta-voz da organização.
Música do mundo em Santo Tirso
O alinhamento musical é, como já é tradição, um dos grandes pilares do Palheta Bendita. Este ano, o festival explora sonoridades de várias geografias, com especial destaque para a música cigana. O grupo indiano Dhoad Gypsies of Rajasthan e os russos Dobranotch prometem trazer ao palco de Santo Tirso a riqueza dos seus universos musicais, enquanto uma residência artística unirá o músico brasileiro Frankão (mais conhecido como O Gringo Sou Eu) com o projeto português Sons do Bairro e a comunidade cigana local. O resultado será um espetáculo inédito que junta tradições e estéticas diversas, celebrado como uma manifestação da música enquanto ferramenta de integração social.
A música portuguesa também terá um lugar de destaque, com atuações de projetos como Alma Menor, O Gajo, e Palankalama, que explorarão as raízes do folk nacional. Já as polifonias femininas de Sopa de Pedra vão dar vida a antigos cantos de trabalho e memórias da tradição oral. A música africana também marcará presença, com os sul-africanos BCUC (Bantu Continua Uhuru Consciousness) a trazerem para o festival a sua fusão de afro-psicadelismo e ritmos hipnóticos. A programação musical completa-se com a energia contagiante do supergrupo Baque Flores do Porto, que promete colocar o público a dançar.
Feira de instrumentos e oficinas para todos
Outro dos momentos altos do Palheta Bendita é a sua feira de construtores de instrumentos, uma tradição iniciada em 2009 e que se tornou num ponto de referência para profissionais e entusiastas da violaria, tanto em Portugal como em Espanha. Este espaço celebrará a arte e o engenho de criar instrumentos populares e históricos, proporcionando um ponto de encontro único para artistas, artesãos e o público em geral.
Além disso, o festival oferece um variado leque de oficinas para todas as idades e interesses. Os participantes terão a oportunidade de aprender a construir cabeçudos, experimentar instrumentos tradicionais como sanfona, gaita-de-fole, adufe e maracatu, ou ainda participar em workshops de cantos tradicionais e tablas. Estas atividades promovem o envolvimento ativo do público e reforçam o espírito comunitário do evento.
Novas parcerias e um olhar sobre as histórias de emigração
Uma das grandes novidades desta edição é a parceria com três meios de imprensa local, que desenvolverão um projeto especial para dar voz a histórias de imigrantes do Indostão e da América do Sul residentes em Santo Tirso, bem como a experiências de emigrantes tirsenses radicados na Europa Central. O resultado deste trabalho será apresentado numa exposição fotográfica no recinto do festival e em reportagens em vídeo e papel, revelando histórias de mobilidade e de busca por melhores condições de vida.
Mais do que música: circo, fotografia e improvisação
O programa do Palheta Bendita vai além da música e da construção de instrumentos. Haverá ainda lugar para um espetáculo de novo circo, dedicado a famílias, e para animações de rua, que prometem envolver todos os visitantes numa experiência lúdica e sensorial. Outro dos destaques será uma foliada de improvisação musical, onde músicos e público poderão partilhar o palco num espírito de espontaneidade e celebração.
Um legado de inclusão e diversidade
Desde a sua fundação, o Palheta Bendita tem desempenhado um papel crucial na promoção da multiculturalidade e na valorização das tradições musicais de diferentes partes do mundo. Este ano, ao celebrar a sua 20.ª edição, o festival reforça o compromisso de ser uma plataforma para o diálogo intercultural e para a inclusão, convidando a comunidade a abraçar e a celebrar a diversidade.
Com uma programação extensa e para todas as idades, o evento promete ser um ponto alto no panorama cultural português, atraindo tanto o público local como visitantes vindos de várias regiões do país e até do estrangeiro.
O Palheta Bendita está assim de regresso, pronto para oferecer três dias de música, cultura e partilha. O convite está feito: de 12 a 14 de junho, o Parque Urbano de Geão transforma-se em palco de um encontro único de tradições e horizontes.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 4 de maio de 2026
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