MÚSICA

PAUS fecham o ciclo no Misty Fest 2026

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

14 de maio de 2026

4 min de leitura|16 leituras
PAUS fecham o ciclo no Misty Fest 2026

O Adeus dos PAUS: Uma Carreira de 18 Anos Encerra com Dois Ritos Fúnebres no Palco

Os PAUS, banda portuguesa reconhecida pela sua sonoridade inovadora e presença marcante, anunciaram o ponto final na sua trajetória musical, que se estenderá por 18 anos. A despedida culminará em duas cerimónias finais agendadas para novembro de 2026, no Capitólio e na Casa da Música, assinalando o encerramento definitivo de um ciclo artístico distintivo no panorama nacional.

A Trajetória de uma Década e Meia de Inovação

Desde a sua formação a 29 de novembro de 2008, os PAUS construíram um percurso notável, consolidando-se como uma das propostas mais originais da música portuguesa. Com uma identidade sonora inconfundível, alicerçada na sua "bateria siamesa", no "baixo maior que a tua mãe" e nos "teclados que fazem sentir coisas", a banda estabeleceu um legado de experimentação e energia contagiante que marcou a sua geração. A decisão de terminar a carreira a 29 de novembro de 2026, exatamente 18 anos após o seu início, sublinha uma intenção de fechar o ciclo de forma consciente e plena.

Este adeus surge em consonância com o lançamento do seu último trabalho discográfico, “Enterro”, editado em 2026. Este álbum serviu de mote para uma derradeira digressão, que o grupo descreve como o "cortejo fúnebre" da sua obra final. Esta tour levou os PAUS a mais de 25 palcos por todo o país, permitindo-lhes uma última conexão com o seu público em diversos pontos do território nacional, antes das despedidas finais.

Ritos Fúnebres em Palco: Uma Celebração da História

Para a despedida final, os PAUS e os seus colaboradores mais próximos conceberam dois eventos que prometem ser memoráveis. A 21 de novembro, o Capitólio, em Lisboa, acolhe a primeira das "cerimónias", seguindo-se a 29 de novembro a Casa da Música, no Porto, para o derradeiro concerto. Estes espetáculos são encarados como "momentos de despedida e cremação da sua história", sublinhando o caráter cerimonial e definitivo do adeus.

Em palco, a banda estará acompanhada por elementos que revisitarão a sua rica história. Imagens e sons da trajetória dos PAUS serão projetados, convidando o público a uma viagem nostálgica pelos momentos mais marcantes da sua carreira. A estes elementos visuais e auditivos juntar-se-á um coro de vozes, encarregado de elevar os "últimos ritos" da banda, adicionando uma dimensão de grandiosidade e solenidade ao espetáculo. Esta formação especial promete uma interpretação emotiva do repertório que definiu os PAUS, desde os seus ritmos tribais até às melodias que evocam sensações profundas.

A banda reitera que estas serão as últimas ocasiões para ver os PAUS ao vivo. Os concertos prometem ser uma celebração da vida e obra de um grupo que ousou ser diferente, um convite aberto aos fãs para uma última partilha de energia e emoção. O apelo para "trazerem flores" reforça o tom de homenagem e gratidão, transformando os espetáculos num verdadeiro tributo à banda e ao seu legado.

Perspetiva: O Legado Cultural dos PAUS

A decisão dos PAUS de encerrar a sua atividade após 18 anos marca um momento significativo para a música independente portuguesa. O grupo, que sempre se destacou pela sua sonoridade arrojada e pela abordagem pouco convencional à estrutura de canções, deixa um vazio no panorama cultural, mas também um modelo de integridade artística. A forma como escolheram terminar, com um álbum de despedida e concertos concebidos como ritos de passagem, reflete a sua identidade criativa e a seriedade com que sempre encararam a sua arte.

A influência dos PAUS estende-se para além das suas composições. A sua energia performática e a coesão enquanto grupo serviram de inspiração para muitos músicos e bandas emergentes em Portugal. Ao optarem por uma "morte" artística planeada e consciente, em vez de um declínio gradual, os PAUS solidificam a sua lenda, garantindo que a sua memória e o seu impacto cultural perdurem de forma vibrante e intocada no imaginário coletivo.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 14 de maio de 2026

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