MÚSICA

Ponto C propõe programa dedicado à música tradicional e às suas reinvenções

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

23 de março de 2026

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Ponto C propõe programa dedicado à música tradicional e às suas reinvenções

Ponto C Desvenda Abril Vibrante: Tradição, Vanguarda e Reflexão Cultural em Penafiel

O segundo trimestre de 2026 arranca com uma programação intensa no Ponto C, em Penafiel, prometendo um mês de abril recheado de cultura e arte. O espaço torna-se um palco multifacetado para a celebração da música tradicional, do teatro inovador e de reflexões sobre a história e a identidade portuguesas.

Penafiel no Coração da Criação Artística

A agenda de abril no Ponto C é inaugurada a 2 de abril com um concerto intimista de Manel Cruz, vocalista conhecido pelos Ornatos Violeta, Foge Foge Bandido, Pluto e Supernada. O músico apresenta o resultado de uma residência artística levada a cabo em Penafiel durante o final de março, onde, acompanhado pelo técnico de som Álvaro Ramos e pelo técnico de luz e vídeo Fred Rompante, procurou inspiração nas tradições vivas da região. Esta iniciativa sublinha o compromisso do espaço em fomentar a criação artística e em estabelecer um diálogo entre o património local e as novas expressões.

O programa de abril é ainda fortemente moldado pela celebração dos valores da revolução, propondo uma imersão na música tradicional e nas suas múltiplas reinvenções. Em coprogramação com a Tradisom, o Ponto C assume-se como um vibrante ponto de encontro e diálogo entre o passado e o presente, afirmando Penafiel como um polo de riqueza do património imaterial português através de concertos, apresentações de livros, conversas, filmes e exposições.

Um Mês de Homenagens e Novas Expressões

A vertente musical ganha destaque a 10 de abril com o lançamento do mais recente EP do Amicitia Chorus, "Bai-te à Murta", numa noite enriquecida pela participação das vozes de Sara Yasmine e Gil Dionísio. No dia seguinte, 11 de abril, o Amicitia Chorus junta-se a Jorge Cruz para revisitar o repertório original do fundador dos Diabo na Cruz, num encontro que promete ser memorável. O público terá também a oportunidade de explorar a exposição "Tradisom, trinta anos de edições", uma mostra que traça uma viagem pela música tradicional portuguesa mais relevante, patente até 10 de junho.

Ainda no registo das homenagens, abril evoca figuras incontornáveis da cultura portuguesa. O espetáculo multidisciplinar "Canções Palavras", da EncorArte, assinala o centenário do nascimento de Carlos Paredes, um dos maiores nomes da guitarra portuguesa. A obra de Zeca Afonso, outra referência central, estará igualmente disponível no Ponto C em dois encontros com curadoria da Tradisom: "Zeca Afonso, uma vontade de música" e "Carlos Paredes, a guitarra de um povo". A 11 de abril, o trabalho de recolha do etnomusicólogo francês Michel Giacometti será destacado com a exibição da sua filmografia completa, uma homenagem à cultura popular portuguesa, aos seus cantos e gentes. A noite culmina com um set do DJ Gaiteirinho, que promete uma viagem musical pelos Balcãs, África, Oriente e América.

No dia 15, o Art’Ventus Quintet apresenta "Sopros de Abril", um concerto que traça uma trajetória da música nacional, reunindo obras de compositores do século XX até à atualidade. O recital inclui peças de Frederico de Freitas e Joly Braga Santos, lado a lado com duas encomendas a Luís Azevedo e Anne Victorino d’Almeida, criando um diálogo entre autores pré-revolucionários, de transição e os nascidos em liberdade.

O teatro também marca presença com produções que desafiam e emocionam. A 18 de abril, o Teatro Nova Europa apresenta "Se um momento os teus olhos me pudessem ver", uma peça com texto e encenação de Luís Mestre. Inspirada na tragédia de "Fedra", de Racine, a obra explora um amor proibido e tabu, exibindo a intimidade de um desejo interdito. A 24 de abril, o Teatro de Ferro traz "Dura Dita Dura", um espetáculo de marionetas para todas as idades com texto de Regina Guimarães e Igor Gandra como marionetista. Estreado há 17 anos, este "monumento teatral" reflete sobre a atmosfera de terror surdo que marcou Portugal por meio século.

Para assinalar o Dia dos Direitos dos Trabalhadores, a companhia Astro Fingido e o encenador Fernando Moreira apresentam duas peças: a 30 de abril, "Moço da Cola", retratando a vida de crianças que abandonavam a escola para trabalhar, e a 3 de maio, "Mulheres Móveis", um espetáculo visual e musical que homenageia as carreteiras, mulheres que transportavam móveis à cabeça em tempos de miséria. A 8 de maio, o Ensemble Sociedade de Actores apresenta "Dupla", uma peça escrita e encenada por Pedro Galiza, que também protagoniza a obra ao lado de Emília Silvestre, inspirada na biografia de Sarah Bernhardt.

Perspetiva

A programação do Ponto C para o segundo trimestre de 2026, com particular enfoque em abril, configura-se como um espelho da riqueza cultural portuguesa, equilibrando a profunda valorização das raízes e tradições com a ousadia da criação contemporânea. A aposta na música tradicional, nas homenagens a figuras icónicas como Carlos Paredes e Zeca Afonso, e na recuperação do trabalho de Michel Giacometti, reforça a identidade e a memória coletiva. Paralelamente, a diversidade teatral, que aborda desde tragédias clássicas a reflexões sobre a história social e política do país, demonstra a vitalidade das artes cénicas. Este programa não só oferece ao público uma vasta gama de experiências artísticas, mas também consolida Penafiel como um centro dinâmico de intercâmbio cultural, promovendo um diálogo essencial entre gerações e linguagens artísticas em Portugal.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 23 de março de 2026

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