MÚSICA

Primeiros nomes para o OUT.FEST 2026 revelados

O OUT.FEST 2026, no Barreiro de 1 a 4 de outubro, revela os primeiros nomes, incluindo ∈Y∋ + C.O.L.O., Klein, Pink Siifu e Senyawa, destacando música exploratória.

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Redação PORTA B

27 de abril de 2026

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Primeiros nomes para o OUT.FEST 2026 revelados

Primeiros nomes para o OUT.FEST 2026 revelados

O Barreiro prepara-se para receber, de 1 a 4 de outubro, a 22.ª edição do OUT.FEST, um dos festivais mais inovadores da cena musical portuguesa dedicado à música exploratória e à experimentação sonora. A organização revelou agora os primeiros nomes confirmados para o cartaz, que prometem uma edição plural, alargada geograficamente e marcada por estreias nacionais e regressos muito aguardados.

Um cartaz que atravessa fronteiras e estilos

O OUT.FEST é conhecido pela sua aposta na inventividade e na diversidade sonora, e este ano não será exceção. O destaque vai para a estreia em Portugal de ∈Y∋ + C.O.L.O., projeto liderado por Yamantaka Eye, uma figura central da música inclassificável e reconhecido pela sua ligação a grupos como Boredoms e Hanatarash. O músico japonês traz ao Barreiro uma proposta que desafia géneros e se afirma como um marco na música experimental contemporânea.

Entre os regressos, salienta-se Klein, artista com uma voz singular e presença incontornável na última década da música alternativa. Também Pink Siifu, um dos nomes maiores do rap norte-americano contemporâneo, regressa a Portugal para a sua primeira apresentação a sul do Tejo. O músico distingue-se pela fusão entre free jazz, punk e hip-hop, explorando territórios sonoros pouco convencionais.

Novas sonoridades em estreia nacional

O festival apresenta ainda o trio formado por Whitney Johnson, Lia Kohl e Macie Stewart com o projeto “BODY SOUND”, que se revela num concerto após uma mini-residência no Auditório Municipal Augusto Cabrita. Este lançamento recente destaca-se no cruzamento entre composição e improvisação, reafirmando o compromisso do OUT.FEST com a música enquanto processo em contínua transformação.

Outro destaque vai para a interpretação de obras do compositor Phill Niblock, celebradas através de duas peças para guitarra apresentadas por Rafael Toral, Manuel Mota, Margarida Garcia e André Gonçalves. Esta iniciativa reforça o papel do festival como plataforma para a escuta expandida e para a valorização de compositores que exploram novas formas de sonoridade.

Residências e criações site-specific

Manja Ristić regressa ao Barreiro para desenvolver um novo trabalho em residência artística, utilizando como ponto de partida o Arquivo Sonoro da cidade. Esta continuidade da linha de criação site-specific do festival sublinha a importância do contexto local e da memória sonora na produção artística contemporânea.

Ainda no campo da escuta atenta, as propostas de Megabasse e John Also Bennett focam-se na dimensão espacial e sensorial do som, oferecendo ao público experiências imersivas e reflexivas. Shane Parish traz “Autechre Guitar”, um disco recente que interpreta a electrónica dos britânicos Autechre através da guitarra acústica, revelando novas dimensões inesperadas da música electrónica.

Dança, política e eletrónica em movimento

Num registo mais direto, a prática do DJ enquanto forma artística é destacada pela presença de Josey Rebelle, conhecida pela sua abordagem cuidada e política à música de pista. As Deli Girls combinam a eletrónica de dança com o punk e a intervenção política, criando uma energia que promete incendiar os palcos do festival.

O duo portuense TNL, formado por Tiago Carneiro e Nuno Loureiro, apresenta uma abordagem aberta e em constante mutação à música eletrónica, reafirmando a vitalidade da cena nacional e a sua ligação ao universo experimental do OUT.FEST.

Tradições, fusões e explosões sonoras

No cruzamento de tradições musicais, os indonésios Senyawa estreiam-se no festival com uma proposta única que funde elementos da música tradicional do seu país com uma abordagem contemporânea e experimental. Rita Silva & Mbye Ebrima trazem um encontro entre minimalismo modular e as heranças musicais da África atlântica, reforçando a diversidade cultural presente no cartaz.

Por fim, o regresso dos brasileiros DEAFKIDS promete um final em grande, com um novo disco explosivo que reafirma a energia e a inovação da música extrema sul-americana.

OUT.FEST 2026: um palco para a inovação

O OUT.FEST 2026 confirma-se, assim, como um festival essencial para quem procura experiências sonoras únicas, desafiadoras e plurais. A programação ocupará vários espaços do Barreiro, mantendo o compromisso com a experimentação, a escuta ativa e a abertura a múltiplas formas de criação musical. Novos nomes serão divulgados em breve, mas este primeiro anúncio já desenha um cartaz vibrante e promissor.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 27 de abril de 2026

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