MÚSICA

ProfJam regressa aos álbuns em nome próprio com uma declaração de fé ao amor em 16 actos

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

17 de maio de 2026

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ProfJam regressa aos álbuns em nome próprio com uma declaração de fé ao amor em 16 actos

ProfJam Desvenda "LSD": Um Manifesto de Amor Cristalino Após Anos de Antecipação

ProfJam quebra o silêncio de anos com o lançamento de "LSD (Love Songs Die)", um álbum de 16 faixas inéditas que se assume como uma profunda exploração do amor. A obra, aguardada por muitos, promete abrir uma nova dimensão na discografia já multifacetada de Mário Cotrim, oferecendo três mãos cheias de canções de amor no seu estado mais puro e intransigente. Este é um trabalho que não só cumpre uma promessa antiga, como redefine a sonoridade e a lírica do artista.

O Cultivo de uma Promessa: Da Semente à Flor

A génese de "LSD" remonta a uma mão cheia de anos, com a sua existência anunciada subtilmente nas entrelinhas de "MDID (Música De Intervenção Divina)". Desde então, o percurso até este lançamento foi pontuado por uma série de singles experimentais que desbravaram caminho, culminando em "NR6" que fechou essa fase preambular. Foi, contudo, a chegada inesperada de "SOZINHO" que oficialmente abriu as portas ao alinhamento final do disco, sinalizando que a espera estava prestes a terminar.

Este novo trabalho sucede a "MDID", marcando uma evolução notável no universo musical de ProfJam. Se o antecessor se destacava pela sua robustez lírica, "LSD" embora mantenha a reconhecida ginástica na palavra do artista, transforma o "ginásio" numa espécie de "salão", onde a palavra é lapidada para um contexto mais íntimo e melódico. A promessa de canções de amor inauditas, no seu registo mais cristalino, cumpre-se agora na plenitude de um disco que é um verdadeiro testemunho da dedicação do rapper português.

Uma Tapeçaria Sonora e Colaborativa

A arquitetura sonora de "LSD" é uma obra complexa e colaborativa, com a dupla 2LO – composta por Gonçalo Lemos e Leonardo Pinto – a assumir o núcleo da produção. A este centro criativo junta-se uma extensa e valiosa equipa de produtores que contribuíram decisivamente para o espectro sonoro alargado do álbum. Nomes como MIGZ, Ariel, ANDRÉ À LA PROD, UGYN, Charlie Beats, LCS, Osémio Boémio, Ransom Beatz, Mizzy Miles, Fumaxa e Rubik teceram a tapeçaria musical que sustenta as 16 faixas.

Musicalmente, "LSD" avança ainda mais no leque de sonoridades exploradas por ProfJam. Mantendo uma espinha dorsal rítmica com contornos a espaços afro, o disco evidencia um contraste marcante na métrica. A ousadia sonora é complementada por uma lista de colaborações que tanto inclui nomes esperados na cena hip-hop nacional, como Sippinpurpp e LON3R JOHNY, quanto surpreendentes incursões noutros géneros, com a participação de Ana Moura, Ivandro e Plutónio. Estas vozes acentuam a tónica definida por Mário Cotrim, construindo um disco primado pela obstinação na palavra romanceada.

Perspetiva

"LSD (Love Songs Die)" não é apenas um novo álbum na discografia de ProfJam; é um manifesto de resistência cultural. O artista propõe uma declaração de fé no amor, atravessando tempos que insistem em decretar-lhe um fim inevitável e precoce. Esta obra surge como um contraponto necessário, relembrando a importância do romance e da vulnerabilidade emocional num panorama musical e social que, por vezes, se mostra avesso a estas temáticas. A sua chegada é um marco no jornalismo cultural independente português, pela forma como o álbum se posiciona no diálogo sobre a cultura e a música contemporânea.

O manifesto de ProfJam prolonga-se para lá da forma musical, estendendo-se à sua conceção visual. A arte de capa de "LSD", assinada por XZ — parceiro de longa data na conceção estética do universo do artista e também responsável pelos vídeos que acompanham o disco —, serve de protótipo estético dessa visão. Ilustra uma "nudez artística", que permeia todas as dimensões da obra, reforçando a integridade e a audácia de um projeto que se assume como uma declaração artística completa no panorama da música portuguesa.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 17 de maio de 2026

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