Sala Luís de Freitas Branco no CCB e Cineteatro Louletano juntam-se ao percurso do Misty Fest 2026
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
28 de maio de 2026

Misty Fest 2026: Encontros Sonoros Inovadores e Vozes Globais Anunciam Programação Completa
O Misty Fest 2026 desvendou os contornos finais da sua programação, revelando novos nomes que prometem marcar esta edição pela diversidade estética e pela profundidade artística. Entre Lisboa, Porto e Loulé, o festival anuncia a programação completa para a Sala Luís de Freitas Branco, no Centro Cultural de Belém (CCB), e assinala o regresso a Loulé, consolidando um percurso de descoberta e proximidade com o público.
Uma Celebração da Diversidade Musical no Coração de Portugal
A edição de 2026 do Misty Fest afirma-se como um ponto de encontro para diferentes expressões musicais, cruzando jazz, música do mundo, eletrónica, improvisação, e as múltiplas possibilidades da voz e do piano. Este festival independente tem vindo a construir uma reputação sólida por apresentar propostas arrojadas e por promover o diálogo entre artistas de universos distintos. A curadoria cuidadosa reflete um compromisso com a qualidade e com a inovação, garantindo uma experiência enriquecedora para os amantes da música.
A abrangência geográfica do evento, que se estende por Lisboa, Porto e Loulé, permite que um público mais vasto tenha acesso a estas experiências culturais singulares. O encerramento desta edição será pautado por uma riqueza de géneros e abordagens, sublinhando a missão do festival de ser um espaço de descoberta e valorização artística, onde a proximidade entre artistas e audiência é um pilar fundamental.
Destaques da Programação: De Encontros Inéditos a Vozes Consagradas
Um dos momentos mais aguardados é o encontro entre Nancy Vieira e Francisco Sassetti, uma das propostas mais audazes da programação. No dia 27 de novembro, na Sala Luís de Freitas Branco do CCB, a voz multipremiada de Nancy Vieira, uma referência da música cabo-verdiana que cruza tradições e geografias com naturalidade, une-se ao piano envolvente de Francisco Sassetti, um nome incontornável do neoclássico português. Sassetti, com mais de três décadas de carreira, é conhecido pela sua capacidade de transformar experiências quotidianas em narrativas musicais contemplativas e cinematográficas, prometendo um concerto tão íntimo quanto livre.
A vocalista Youn Sun Nah, elogiada pela sua fluidez entre o dramatismo impressionista, a improvisação abstrata e a simplicidade folk, traz o seu universo singular ao público português. Nascida em Seul, na Coreia do Sul, e com formação em jazz em Paris, Youn Sun Nah construiu uma carreira internacional aclamada, com álbuns como "Same Girl" e "Lento" a serem distinguidos com Disco de Ouro em França e na Alemanha. A artista apresenta-se em concertos intimistas na Casa da Música, no Porto, a 28 de novembro, e no CCB, em Lisboa, a 29 de novembro.
Outro ponto alto é a colaboração entre Maria João e João Farinha, no dia 28 de novembro, no CCB em Lisboa. Maria João, cuja voz é indissociável da história do jazz português, celebra mais de quatro décadas de uma carreira marcada pela improvisação e pela recusa de fronteiras estéticas. A sua voz, descrita como "sem vergonha" e "amorosamente musculada", será a protagonista de um espetáculo onde Farinha, teclista e multi-instrumentista com formação jazzística e afinidade pela eletrónica, explorará as múltiplas possibilidades expressivas. Juntos, prometem transformar a voz em protagonista, acompanhante, percussionista, coro e poeta, num encontro guiado pela curiosidade e descoberta. A australiana Eliana Glass, vocalista, pianista e artista visual com formação em jazz na The New School, em Nova Iorque, também se junta a esta edição do festival, enriquecendo ainda mais o leque de talentos. Além disso, a dupla Raül Refree e Maria Mazzotta soma uma nova data em Loulé, assinalando o aguardado regresso do Misty Fest ao Cineteatro Louletano.
Perspetiva
O Misty Fest continua a cimentar o seu lugar no panorama cultural português como um festival que não só traz nomes de peso da cena musical global, mas que também fomenta encontros inesperados e colaborações artísticas de grande valor. A aposta na diversidade de géneros e na exploração de novas sonoridades, aliada à valorização da proximidade com o público, enriquece o ecossistema cultural do país. Ao expandir a sua presença e ao reforçar a sua programação com propostas tão singulares, o festival contribui significativamente para o diálogo cultural, oferecendo experiências que desafiam e inspiram, solidificando Portugal como um palco vibrante para a música contemporânea e de vanguarda.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 28 de maio de 2026
PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.