O Fio que (Re)ensarilha: Segue-me à Capela Anuncia Novo Capítulo na Música Portuguesa
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Redação PORTA B
10 de fevereiro de 2026

O Fio que (Re)ensarilha: Segue-me à Capela Anuncia Novo Capítulo na Música Portuguesa
Segue-me à Capela prepara-se para desvendar o seu mais recente trabalho discográfico, "Quando um fio s’ensarilha", que chegará ao público a 3 de março. A primeira amostra deste aguardado álbum, o single "Zamburra", já se encontra disponível desde 6 de fevereiro, oferecendo um vislumbre inicial do universo sonoro e conceptual que o grupo explorou.
O Regresso e a Identidade Sonora
O regresso de Segue-me à Capela às edições, materializado com a apresentação de "Quando um fio s’ensarilha", promete reafirmar a identidade singular do coletivo no panorama musical português. A edição oficial do disco, agendada para 3 de março, gera um burburinho de antecipação entre os apreciadores da sua obra. No entanto, os ouvintes já podem mergulhar neste novo capítulo através de "Zamburra", o single de avanço que foi disponibilizado no passado dia 6 de fevereiro. Este lançamento inicial serve como um convite para explorar a profundidade e a inovação que o álbum promete trazer.
O novo disco do grupo mergulha numa sonoridade e conceção assentes na fusão intrínseca entre a polifonia vocal, a percussão de raiz popular e uma reinvenção criativa da música tradicional portuguesa. "Quando um fio s’ensarilha" posiciona a voz como o seu eixo central, explorando as suas múltiplas facetas e potencialidades expressivas de forma magistral. Este trabalho é descrito como um ponto de encontro onde a tradição se cruza de forma orgânica e inovadora com a criação contemporânea, prometendo uma experiência auditiva rica e desafiante para qualquer melómano. A proposta é clara: honrar o passado enquanto se projeta, com audácia, para o futuro da música feita em Portugal.
"Zamburra": O Desatar do Nó
A escolha de "Zamburra" como primeiro single, entre o leque de canções que compõem o álbum, não se revelou um processo imediato, mas sim uma decisão estratégica para desvendar o "nó" central do trabalho. Este tema inaugural do disco está intrinsecamente associado ao ciclo de Inverno, sendo frequentemente cantado por alturas do Entrudo, um período de passagem e de inversão de papéis e convenções. A canção representa o momento em que os corpos despertam do frio, as vontades se libertam e o mundo volta a ganhar vida, funcionando como uma porta de entrada para a narrativa que se desenrola ao longo do álbum.
"Zamburra" capta precisamente esse momento liminar, onde o fio da existência parece ceder antes de se reatar com renovado vigor e esperança. A letra evoca imagens poderosas de "coisas que o dinheiro não compra" a "correr mar abaixo", enquanto das casas escapam "espanta-males, graças e gritos desencontrados que devolvem a vida aos dias". É uma celebração pungente do reavivar da vida, da libertação e da animação que se segue aos tempos de recolhimento e introspeção. Este single é, assim, o primeiro fio a ser desensarilhado, estabelecendo o tom para a jornada musical e conceptual de "Quando um fio s’ensarilha", uma obra que se adivinha de profunda ressonância.
Perspetiva
Com "Zamburra" a abrir as hostilidades, Segue-me à Capela convida os ouvintes a explorar um trabalho onde a profundidade da tradição é revitalizada pela frescura da criação contemporânea. A abordagem do grupo, que coloca a voz no centro de uma reinvenção da música tradicional portuguesa, não só honra uma herança cultural valiosa, como também a projeta para novas gerações, garantindo a sua relevância e vitalidade. "Quando um fio s’ensarilha" promete ser um marco na discografia do grupo, reafirmando o seu compromisso com a inovação musical e a valorização da identidade sonora portuguesa, tudo ancorado na potência expressiva da voz. A espera até 3 de março para o álbum completo será, sem dúvida, preenchida pela repetição e descoberta das múltiplas camadas que "Zamburra" já nos começou a desvendar, consolidando o lugar de Segue-me à Capela como um dos coletivos mais interessantes e culturalmente pertinentes do nosso tempo.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 10 de fevereiro de 2026
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