MÚSICA

Sonica Ekrano – Festival de Documentário Musical de 11 a 19 de setembro no Barreiro

A cena musical portuguesa prepara-se para mais um momento marcante. A PORTA B analisa o evento e o seu impacto cultural.

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Redação PORTA B

27 de agosto de 2026

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Sonica Ekrano – Festival de Documentário Musical de 11 a 19 de setembro no Barreiro

Sonica Ekrano Regressa ao Barreiro: A Música como Espelho de Culturas e Resistência

O Sonica Ekrano – Festival de Documentário Musical celebra a sua quinta edição no Barreiro, de 11 a 19 de setembro, prometendo uma imersão profunda na relação intrínseca entre a música e os múltiplos contextos sociais, políticos e culturais que a moldam. Pela primeira vez, o Teatro Municipal do Barreiro, casa da Companhia Arteviva, será o palco principal deste evento que apresentará 22 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, com várias estreias nacionais.

Desvendar a Essência da Música em Comunidade

Este ano, o festival aprofunda o seu propósito fundamental: explorar a música não como uma entidade isolada, mas como um fenómeno nascido de territórios, comunidades e formas singulares de interpretar o mundo. As obras selecionadas abordam a música como memória, ritual, resistência, identidade e ponto de encontro, transcendendo a mera biografia de artistas ou a história de géneros musicais. Em nove dias, o público terá a oportunidade de compreender as circunstâncias sociais, políticas e culturais que dão origem a sons e melodias, através de uma viagem que abrange diferentes épocas e geografias.

O programa desta edição é um verdadeiro mosaico sonoro e visual, reunindo figuras emblemáticas como os Butthole Surfers, Sun Ra, Jason Molina, Hermeto Pascoal, Mogwai, Erik Satie, Amadou Mariam, Witch Club Satan e Vítor Rua. Mas a exploração não se fica pelos nomes consagrados; o Sonica Ekrano dedica-se também a desvendar comunidades e cenas musicais vibrantes em locais tão diversos como a Papua Ocidental, Guiné-Bissau, Gana, Índia, Irlanda, Eslovénia, Sardenha e Istambul, sublinhando a universalidade e a diversidade da expressão musical.

Um Cartaz Competitivo e Seleções Especiais de Impacto

A Secção Competitiva do festival apresenta seis longas-metragens, todas em estreia portuguesa, cujo vencedor será determinado pelo voto do público. Entre os destaques, The Best Summer, de Tamra Davis, revela imagens inéditas de uma icónica digressão de 1995, que juntou bandas como Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Pavement, Rancid, The Amps e Bikini Kill pela Austrália e Sudeste Asiático. You Fuckers Figure It Out: A Jason Molina Story, de Tommy Nickoloff, mergulha nas raízes do líder de Songs: Ohia e Magnolia Electric Co., enquanto The Magic City – Birmingham According to Sun Ra, de Pablo Guarise e Guillaume Maupin, investiga as origens de Sun Ra na Birmingham segregada do Alabama.

A competição inclui ainda Sound Dreams of Istanbul, onde o violoncelista Anıl Eraslan constrói um retrato sensorial de Istambul. Celtic Utopia, de Dennis Harvey e Lars Lovén, explora a revitalização contemporânea da música tradicional irlandesa e a sua ligação à história política do século XX na Irlanda. Completa a secção HEX, de Maja Holland, que acompanha as três integrantes da banda Witch Club Satan na sua jornada para se afirmarem como músicas e "bruxas", projetando uma voz feminista no universo do black metal.

As Seleções Especiais abrem, a 11 de setembro, com Butthole Surfers: The Hole Truth and Nothing Butt, de Tom Stern, um mergulho no percurso radical e caótico de uma das bandas mais iconoclastas do rock norte-americano. Outros momentos marcantes incluem Nteregu, de Manuel Loureiro e Roger Mor, dedicado à riqueza musical da Guiné-Bissau, e Punk Under Communist Regime, de Andrej Kosak, sobre a emergência e repressão da cena punk de Ljubljana entre 1977 e 1985. O público poderá ainda assistir a O Menino d’Olho D'Água, de Lírio Ferreira e Carolina Sá, que revisita as origens de Hermeto Pascoal, incluindo imagens de um dos seus últimos concertos.

O percurso pessoal e artístico de Amadou Bagayoko e Mariam Doumbia é retratado em The Blind Couple from Mali, de Ryan Marley. O cinema português está representado com Complô, de João Miller Guerra, que traça o perfil do rapper português Bruno “Ghoya” Furtado, cruzando música, identidade, prisão, cidadania e pertença. Esta sessão será precedida pela apresentação do livro Conversas sobre Rap Crioulo em Portugal. O encerramento, a 19 de setembro, estará a cargo de Mogwai: If the Stars Had a Sound, de Antony Crook, um retrato da banda escocesa que explora a sua amizade, concertos e o processo de criação do álbum As the Love Continues durante a pandemia.

Perspetiva

O Sonica Ekrano continua a consolidar-se como um pilar essencial no panorama cultural português, oferecendo uma janela para a compreensão da música enquanto força motriz de transformação social e expressão humana. Ao trazer para o Barreiro uma programação tão diversificada e curada, o festival não só enriquece a oferta cultural da região, como também estimula o diálogo sobre temas globais através de uma linguagem universal. A aposta em estreias nacionais e a valorização de narrativas que vão além do convencional reforçam o papel de PORTA B e de eventos como o Sonica Ekrano na promoção de um jornalismo e de uma cultura que exploram as profundezas da criação artística e o seu impacto na sociedade.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 27 de agosto de 2026

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