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Teatro da Garagem anuncia nova temporada com duas estreias: Stabat Mater, com Custódia Gallego, e Bli

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Redação PORTA B

18 de julho de 2026

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Teatro da Garagem anuncia nova temporada com duas estreias: Stabat Mater, com Custódia Gallego, e Bli

Teatro da Garagem Questiona o Tempo em Nova Temporada com Duas Estreias e Festival de Criação Emergente

O Teatro da Garagem apresenta a sua nova temporada para o último quadrimestre de 2026, entre setembro e dezembro, no Teatro Taborda, em Lisboa. A programação, que se debruça sobre a questão fundamental de "como habitamos o tempo", destaca-se por duas novas criações da companhia, "Stabat Mater" e "Bli", além de um robusto conjunto de espetáculos convidados e iniciativas culturais.

Uma Reflexão Profunda sobre a Temporalidade

A temporada que se avizinha é um convite à introspeção sobre a nossa relação com o tempo, abordando temas como a lentidão, a memória, a espera, a perda e a urgência do presente. Esta linha de pensamento perpassa todas as propostas artísticas, desde as produções próprias da companhia até aos espetáculos acolhidos, criando um diálogo contínuo no palco do Teatro Taborda.

Ao longo dos próximos meses, o público terá a oportunidade de explorar múltiplas facetas desta questão existencial. As duas novas criações do Teatro da Garagem prometem ser pontos altos, oferecendo perspetivas distintas sobre a experiência humana no fluxo temporal, tanto para o público adulto quanto para os mais jovens.

Detalhes da Programação Artística

A principal estreia da temporada é "Stabat Mater", com data marcada para 12 de novembro. Nesta obra, Carlos J. Pessoa revisita uma das imagens mais poderosas da iconografia ocidental: a mãe junto à cruz. Interpretada por Custódia Gallego e Célia Teixeira, a peça mergulha em diferentes manifestações da perda, explorando cinco experiências-limite onde a atriz empresta corpo, voz e sentidos à dor universal.

Para a infância e juventude, o Teatro da Garagem apresenta "Bli", que fará a sua primeira apresentação a 10 de dezembro. Através de situações que oscilam entre o cómico, o lírico e o absurdo, Carolina Cunha e Costa e Duarte Romão guiam o público para o universo da "pressa". O espetáculo procura instigar a sensação da falta de um tempo mais lento, estimulando a sensibilidade e a atenção para a riqueza do mundo que nos rodeia.

A programação é enriquecida por espetáculos convidados que prolongam esta reflexão sobre o tempo. "Tempo Morto", a 5 de setembro, com encenação e interpretação de Marta Almeida, propõe um desacelerar consciente num contexto social onde a produtividade se impõe como medida de existência. Nos dias 9 e 10 de outubro, "Acontece Camões", de Paulo Filipe Monteiro, amplifica a poesia de Luís Vaz de Camões e de autores contemporâneos inspirados na sua obra, como Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Saramago ou E. M. de Melo e Castro.

Ainda em outubro, nos dias 16 e 17, "Filhos de Alguém", de Miguel Damião, com texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto, traça um retrato poético e social daqueles que permanecem à margem e que anseiam por um futuro que parece eternamente adiado, uma outra faceta da espera e da temporalidade.

No calendário do Teatro da Garagem, destaca-se ainda a 19.ª edição do festival "Try Better, Fail Better", a 26 e 27 de setembro. Este evento, que há quase duas décadas fomenta a criação emergente, serve de plataforma para novas vozes no teatro, dança e performance. Este ano, quatro propostas foram selecionadas através de um concurso aberto: "dis-far-ce", de Mariana Magalhães; "Desafinada no Coração", de Miriam Freitas; "Maria D. não sobe montanhas", de Gustavo Antunes; e "Paradoxo Molotof", de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves.

O Teatro Taborda estende-se à música em novembro, para acolher o primeiro aniversário da Ovo Estrelado Records. Esta editora, nascida pelas mãos de Ricardo Duarte, Tiago Castro e Ricardo Mariano, celebra-se a 26 de novembro com concertos dos artistas que assinaram os seus quatro primeiros discos: Afonso Sêrro, Calcutá, Acid Acid e um nome ainda a revelar, responsável pelo quarto lançamento.

Para além das fronteiras do Teatro Taborda, a companhia prossegue a circulação de "O Rinoceronte", de Eugène Ionesco. A encenação de Carlos J. Pessoa para este clássico do teatro do absurdo chega ao Brasil, em Salvador, Bahia, no Teatro Vila Velha, nos dias 2 e 3 de outubro, fruto de uma parceria internacional. Em Portugal, haverá uma nova oportunidade para assistir a este espetáculo, interpretado por Dai Ida, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Rui Maria Pêgo, a 24 de outubro, no Évora Teatro Fest.

Perspetiva

A nova temporada do Teatro da Garagem reafirma o seu papel vital no panorama cultural português, não só como polo de produção artística, mas também como espaço de reflexão e experimentação. Ao focar-se na complexidade da nossa relação com o tempo, a companhia oferece ao público um espelho para as ansiedades e esperanças da vida contemporânea, estimulando o pensamento crítico e a sensibilidade.

A diversidade da programação, que abrange desde o drama profundo sobre a perda até à estimulação da atenção para a juventude, passando pela celebração da música e o apoio à criação emergente, demonstra um compromisso abrangente com a arte e a sociedade. A itinerância de "O Rinoceronte" e a presença de talentos como Custódia Gallego e Carlos J. Pessoa amplificam o impacto cultural, consolidando o Teatro da Garagem como uma voz essencial no enriquecimento do tecido artístico nacional e na sua projeção internacional.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 18 de julho de 2026

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