MÚSICA

The Lathums levaram o indie rock de Wigan ao terceiro dia de Vilar de Mouros

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

21 de agosto de 2026

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The Lathums levaram o indie rock de Wigan ao terceiro dia de Vilar de Mouros

A Ascensão Inevitável dos The Lathums Iluminou Vilar de Mouros com Indie de Autor

A banda britânica The Lathums trouxe uma nova intensidade ao terceiro dia do CA Vilar de Mouros 2026, com uma atuação que consolidou a sua identidade sonora e presença em palco. Oriundos de Wigan, os quatro músicos cativaram o público com a sua fusão distintiva de guitarras marcantes e melodias envolventes. A performance refletiu a maturidade de um grupo que, longe de procurar o seu lugar, já o encontrou, afirmando-se com segurança e consciência do seu percurso.

Do Acaso ao Estrelato: A Gênese de The Lathums

A génese dos The Lathums, em 2018, foi quase acidental. Os quatro instrumentistas – Alex Moore (voz e guitarra), Scott Concepcion (guitarra solo), Matty Murphy (baixo) e Ryan Durrans (bateria) – reuniram-se inicialmente por designação de um tutor, enquanto estudavam no The Music Project, em Wigan. Essa imposição académica revelou-se um golpe de sorte, pois rapidamente descobriram uma sinergia imediata que ultrapassou as paredes da sala de aula.

Poucos meses após a sua formação, a banda lançou "Crying Out", o seu single de estreia, que rapidamente chamou a atenção no efervescente circuito independente britânico. O interesse da indústria não demorou a crescer, culminando na assinatura de um contrato com a prestigiada Island Records antes mesmo de o grupo completar o seu primeiro ano de existência. Esta ascensão meteórica cimentou o seu estatuto de promessa no panorama musical, preparando o terreno para o que viria a ser uma presença consolidada.

Identidade Consolidada em Palco: A Essência Sonora de Wigan

Em Vilar de Mouros, a história dos The Lathums já se apresentava com outra dimensão. A insegurança ou a busca por um lugar deixaram de ser percetíveis; em palco, a banda exibiu uma formação segura e plenamente consciente da identidade que construiu ao longo dos anos. As guitarras forneceram a textura e o corpo vibrante às composições, mas foi a profundidade melódica e a escrita perspicaz de Alex Moore que mantiveram o foco da atuação, revelando uma capacidade singular de transformar emoções e vivências em temas acessíveis, sem lhes retirar a complexidade intrínseca.

O universo sonoro dos The Lathums é rico em referências, aproximando-se da tradição do indie britânico de guitarras, com ecos que remetem a nomes icónicos como os The Smiths. Contudo, a banda não se limita ao passado, incorporando também a energia mais crua e direta do rock contemporâneo, frequentemente associado a grupos como os Arctic Monkeys. O resultado desta fusão, no entanto, é inequivocamente original e pertence exclusivamente aos The Lathums, definindo a sua assinatura musical.

A performance ao vivo traduziu essa mistura em uma experiência dinâmica e envolvente. A banda alternou com mestria entre momentos de maior sensibilidade e emotividade, onde as melodias e as letras de Moore brilhavam, e passagens onde as guitarras assumiam uma força mais imponente, impulsionando a energia da multidão. Esta dualidade demonstrou a versatilidade e a maturidade de um grupo que sabe como cativar e transportar o público para o seu mundo sonoro.

Perspetiva

A chegada dos The Lathums a Portugal, com uma paragem em Vilar de Mouros, representou mais do que apenas um concerto; foi a confirmação de uma banda que, apesar da sua formação relativamente recente, já possui uma voz singular no panorama musical. A sua capacidade de unir a melancolia poética do indie clássico britânico com a vitalidade do rock moderno oferece ao público português uma experiência sonora rica e multifacetada. A performance segura e aprofundada em Vilar de Mouros solidificou a sua relevância, mostrando que o indie de Wigan tem muito a dizer e a oferecer no cenário cultural internacional.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 21 de agosto de 2026

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