Tiago Nóia apresenta “Comem Tudo” novo single que antecipa o seu primeiro longa duração
Tiago Nóia lança "Comem Tudo", single que critica o capitalismo voraz, antecipando o seu álbum de estreia previsto para setembro.
Redação PORTA B
17 de março de 2026

Tiago Nóia estreia-se com "Comem Tudo", um retrato cru do capitalismo moderno
Tiago Nóia, uma das vozes emergentes do panorama musical português, revelou recentemente o seu mais recente single, “Comem Tudo”. Esta faixa não surge apenas como um avanço do seu primeiro álbum de longa duração, prometido para setembro, mas também como uma poderosa declaração artística e social. Com uma abordagem frontal e incisiva, Tiago Nóia usa a música como um espelho do capitalismo voraz que molda as sociedades contemporâneas, desnudando desigualdades e expondo fragilidades humanas.
Um retrato ácido do consumismo desenfreado
“Comem Tudo” apresenta-se como uma canção carregada de simbolismo e crítica social. Através de uma narrativa lírica marcada pelo sarcasmo e pela acidez, Tiago Nóia constrói uma imagem perturbadora de um sistema económico que consome tudo à sua volta, incluindo a dignidade e o bem-estar das pessoas.
Uma das frases mais emblemáticas do tema, “Eles comem tudo e deixam nada”, ecoa como uma sentença. É uma denúncia de um mundo onde o consumo parece ser a única religião, e onde a procura incessante por progresso económico camufla a devastação social e emocional. A letra, escrita com um tom ora irónico, ora desesperado, questiona: “O que sobra de nós quando de nós não sobra nada?” – uma reflexão inquietante que atravessa toda a canção, funcionando como um convite à introspeção.
Em certos momentos, o sarcasmo dá lugar a imagens cruas e quase absurdas. A descrição de um trabalhador que espera autorização para “gestos mínimos” como “mijar” não é apenas uma crítica às condições laborais, mas também uma metáfora para a forma como o sistema controla até os instintos mais básicos. Esta alternância entre o humor negro e o desespero faz da canção uma experiência emocionalmente densa.
Punk, lo-fi e surrealismo numa fusão explosiva
Musicalmente, “Comem Tudo” distingue-se pela sua energia visceral, que combina punk cru e uma produção lo-fi deliberadamente artesanal. A estética musical reflete a irreverência de Tiago Nóia, mas também a sua maturidade enquanto compositor e produtor. A faixa foi inteiramente escrita, composta, produzida, captada, misturada e masterizada pelo próprio artista, demonstrando um controlo absoluto sobre a sua visão artística.
Para além de Tiago Nóia, que assume as funções de vocalista e guitarrista, o tema contou com a colaboração de Maria Ana Guimarães nos sintetizadores e teclados, e João Quinhentas na bateria. Esta parceria reforça a dimensão coletiva da música, ainda que o foco permaneça claramente na forte identidade artística do líder do projeto.
O trabalho foi gravado na mítica Sala 141 do Centro Comercial STOP, no Porto, uma localização que tem vindo a afirmar-se como um espaço icónico da criação musical independente na cidade. A escolha do local parece sublinhar a autenticidade e o carácter artesanal da produção.
Uma estética visual criada pelo artista
Num mundo em que o aspeto visual desempenha um papel cada vez mais relevante na música, Tiago Nóia não ficou aquém das expectativas. Para acompanhar “Comem Tudo”, o artista desenvolveu um visualizer e o artwork do single, assumindo um papel central em todas as vertentes da criação. Este controlo total de cada detalhe do projeto reforça a coerência artística que promete ser uma das marcas distintivas do seu primeiro álbum.
O que esperar de Tiago Nóia?
Com “Comem Tudo”, Tiago Nóia não só antecipa o seu aguardado álbum de estreia como também deixa uma mensagem clara: o artista está empenhado em usar a música para provocar reflexão e debate. Entre versos carregados de ironia e uma sonoridade que mistura o cru e o experimental, Tiago Nóia destaca-se como uma voz relevante e necessária no panorama musical português.
Resta agora aguardar até setembro, quando o seu primeiro longa duração verá a luz do dia. Se “Comem Tudo” for um indicador do que está por vir, o futuro reserva-nos um trabalho que promete desafiar convenções e confrontar a sociedade com as suas próprias contradições.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 17 de março de 2026
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