Uncle Acid & The Deadbeats: A Descida ao Inconsciente Sonoro que Lisboa Há Muito Aguarda
A PORTA B acompanha os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
29 de janeiro de 2026

Uncle Acid & The Deadbeats: A Descida ao Inconsciente Sonoro que Lisboa Há Muito Aguarda
A capital portuguesa prepara-se para uma noite de imersão densa e hipnótica, há muito desejada pela sua comunidade de apreciadores de heavy rock. A 12 de junho de 2026, os britânicos Uncle Acid & The Deadbeats pisam pela primeira vez o palco do LAV – Lisboa Ao Vivo, num espetáculo que assinala o seu aguardado regresso a Portugal uma década após a última passagem por solo nacional. Este concerto promete ser uma experiência inesquecível, um evento fulcral para os fãs do rock psicadélico, doom e da estética oculta dos anos 70.
Um Reencontro Geracional e uma Estreia Emblemática
A expectativa em torno da vinda dos Uncle Acid & The Deadbeats é palpável, intensificada pelo hiato de dez anos desde a sua última atuação em Portugal. Essa memória remonta ao aclamado festival Sonic Blast, promovido pela Garboyl Lives, a mesma entidade que, agora, traz o quarteto britânico à capital. Este longo período de ausência apenas serviu para aguçar o desejo dos seus seguidores portugueses, que mantiveram acesa a chama por esta banda de culto, demonstrando uma fidelidade notável a uma sonoridade que, embora nicho, cativa profundamente.
A decisão de se estrearem em Lisboa assume um caráter particularmente simbólico. A cidade, um dos maiores polos culturais e musicais do país, nunca teve a oportunidade de testemunhar a energia e a densidade sonora dos Uncle Acid ao vivo. Para muitos, este não é apenas um concerto, mas um reencontro longamente ansiado e uma celebração da persistência de uma base de fãs dedicada que, ao longo dos anos, tem demonstrado um profundo apreço pela estética e sonoridade da banda. A cena musical portuguesa, vibrante e diversificada, acolhe assim mais um nome de peso, consolidando Lisboa como um destino incontornável para as digressões de artistas internacionais que procuram um público conhecedor e apaixonado.
A Identidade Sonora dos Uncle Acid: Entre o Psicadelismo e o Giallo
Os Uncle Acid & The Deadbeats não são apenas uma banda; são um fenómeno que moldou uma identidade muito própria no panorama do rock global. Desde a sua formação, há cerca de década e meia, os britânicos têm-se distinguido pela sua abordagem singular, que combina o rock psicadélico, o doom e o heavy rock com contornos sombrios e uma estética profundamente enraizada no imaginário oculto dos anos 70. Os seus riffs hipnóticos, as melodias inquietantes e a atmosfera densa e envolvente transportam o público para um universo sonoro que é simultaneamente retro e inovador, evocando filmes de terror de baixo orçamento e rituais noturnos.
A evolução da banda é notória no seu mais recente trabalho, Nell’ Ora Blu, lançado em 2024. Este álbum representa uma viagem conceptual cinematográfica, fortemente inspirada no estilo giallo, um subgénero italiano de filmes de terror e thriller que se tornou icónico pelos seus elementos visuais estilizados e narrativas intrigantes. Esta incursão no giallo adiciona uma nova camada de profundidade e mistério à já rica sonoridade dos Uncle Acid, demonstrando a sua capacidade de surpreender e reinventar-se sem perder a sua essência.
Os seus concertos são, por isso, experiências igualmente únicas. A repetição e o peso sonoro transformam-se num transe coletivo, difícil de esquecer, onde a energia da banda e a resposta do público se fundem numa catarse musical quase ritualística. É esta a promessa de uma noite que não será apenas de audição, mas de participação sensorial num ritual sonoro.
Perspetiva
A noite de 12 de junho no LAV não será apenas sobre os Uncle Acid & The Deadbeats. A abrir o palco, teremos a oportunidade de descobrir os Dirty Sound Magnet, um trio suíço que tem vindo a afirmar-se como uma das propostas mais vibrantes da nova vaga psicadélica europeia. A banda, conhecida pela sua sonoridade que cruza de forma magistral a psicadelia, o rock progressivo e um groove contagiante, promete aquecer o ambiente e preparar o terreno para a imersão total no universo dos cabeças de cartaz, solidificando o evento como uma mostra da vitalidade do rock psicadélico contemporâneo.
Este concerto, mais do que um simples espetáculo musical, posiciona-se como um marco no calendário cultural português, reafirmando Lisboa como um ponto de passagem obrigatório para bandas que cultivam géneros mais alternativos e intensos. A vinda dos Uncle Acid & The Deadbeats, com o apoio de uma banda em ascensão como os Dirty Sound Magnet, é um testemunho da dedicação dos promotores e da paixão de um público que, ao longo dos anos, soube manter viva a chama por sonoridades mais densas e desafiantes.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 10 de fevereiro de 2026
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