MÚSICA

Xico Gaiato lança o álbum de estreia "A Cada Passo Que Dou"

Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.

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Redação PORTA B

4 de setembro de 2026

4 min de leitura|43 leituras
Xico Gaiato lança o álbum de estreia "A Cada Passo Que Dou"

Xico Gaiato Desvenda Universo Sonoro da Beira Interior em Álbum de Estreia "A Cada Passo Que Dou"

Xico Gaiato, nome artístico de Francisco Barata, prepara-se para lançar "A Cada Passo Que Dou", o seu aguardado álbum de estreia, no próximo dia 10 de setembro. Editado pela Omnichord, o disco promete mergulhar os ouvintes numa jornada sonora que explora as profundas raízes da Beira Interior, entrelaçando memórias, identidade e a paisagem que moldou o artista. A apresentação ao vivo acontece no Fundão, cidade natal do projeto, no mesmo dia do lançamento.

A Construção de Um Universo Sonoro Enraizado

O percurso que culmina neste álbum tem vindo a ser desvendado ao longo do ano com os singles "Voltas e Voltas" e "Na Raiz", que já antecipavam a fusão de elementos tradicionais com uma sensibilidade contemporânea. "A Cada Passo Que Dou" surge agora na sua totalidade, composto por catorze canções que nascem do som e da paisagem da Beira Interior para construir um universo profundamente pessoal e, ao mesmo tempo, universal. A obra de Francisco Barata convida a uma reflexão sobre a ligação ao território, a importância da memória e a constante procura pela identidade.

O lançamento do álbum não se limita ao formato digital. Para os colecionadores e amantes do suporte físico, "A Cada Passo Que Dou" terá também uma edição especial em vinil e CD. Concebida para encontrar o seu lugar nas estantes, nos gira-discos e nas casas de quem desejar levar estas canções consigo, esta edição reflete o cuidado e a intenção de criar uma experiência tangível e duradoura para a música de Xico Gaiato.

Da Aldeia aos Palcos: O Processo Criativo e a Tour Nacional

A essência de "A Cada Passo Que Dou" reside na forma como Francisco Barata reinterpreta os sons da sua infância na Beira Interior, fundindo-os com a eletrónica e a pop. Este diálogo abre um novo espaço para a exploração da música tradicional portuguesa, conferindo-lhe uma roupagem fresca e inovadora. Parte do disco foi gravada em residência artística nas Donas, aldeia onde a sua mãe cresceu, e é neste ambiente que muitos dos sons que atravessam o álbum, desde os bombos ao pífaro, ganham forma e vida.

A colaboração com outros artistas também marca presença no álbum. Uma das catorze canções conta com a participação de Rossana, tendo sido desenvolvida durante uma sessão criativa realizada no Cabeço do Pião, junto às antigas Minas da Panasqueira. Estes locais, carregados de história e significado, tornam-se parte integrante da narrativa sonora do disco, que revisita lugares, histórias e sonoridades para construir uma identidade profundamente enraizada no território, dialogando entre o passado e o presente. Ao longo das canções, Xico Gaiato desafia o público a construir o seu próprio imaginário, explorando temas universais como a aceitação da identidade, a dúvida e a incessante procura de um lugar no mundo.

A estreia ao vivo do álbum terá lugar no Auditório da Moagem, no Fundão, no dia 10 de setembro, marcando um regresso simbólico às origens do projeto. Posteriormente, Xico Gaiato levará "A Cada Passo Que Dou" a outras cidades portuguesas, com uma série de concertos agendados. A 16 de setembro, o Teatrão em Coimbra recebe o artista, seguido pela Casa da Criatividade, em São João da Madeira, a 17 de setembro. Já em outubro, os espetáculos continuam na Casa Capitão, em Lisboa, a 2 de outubro, e nos Maus Hábitos, no Porto, a 9 de outubro.

Perspetiva

"A Cada Passo Que Dou" afirma-se como um marco promissor na música portuguesa contemporânea. A abordagem de Xico Gaiato ao património sonoro da Beira Interior, filtrada por uma sensibilidade eletrónica e pop, demonstra um caminho inovador para a revitalização da música tradicional. O álbum não só presta homenagem à sua herança cultural, como também a projeta para o futuro, questionando, emocionando e abrindo novas direções. A sua capacidade de tecer narrativas pessoais e universais, sem nunca perder de vista o lugar de onde parte, confere-lhe um potencial significativo para dialogar com um público vasto, contribuindo para a riqueza e diversidade do panorama musical português.


PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 4 de setembro de 2026